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Elisabete da Santíssima Trindade
O Papa Francisco reconheceu um milagre realizado por intercessão de Elisabete (ou Isabel) da Santíssima da Trindade, uma freira carmelita do século 20, abrindo o caminho para a sua canonização, o que deve ocorrer até o final deste ano.
Elisabete Catez nasceu na França em 1880, em uma vila perto de Burges, mas viveu em Dijon perto de um Convento Carmelita. Aos dezessete anos, Elisabete visitou o mosteiro, a madre superiora, ao vê-la, disse-lhe que acabara de receber uma circular sobre a morte de Teresa de Lisieux, e quis que Elisabete a lesse. Essa circular, mais tarde, tornou-se conhecida como a História de uma Alma.
A circular teve um profundo impacto em Elisabete. Ela já era uma pessoa inclinada à oração contemplativa e muito piedosa também, que trabalhava com jovens problemáticos e catequizandos. Ao terminar a leitura, ela sabia que precisava entrar para o convento e tornar-se carmelita, era como precisa responder ao chamado que Deus fazia em seu coração.
Porém sua mãe opôs-se, indicando que esperasse até ter 21 anos. Isso acabou por ser bom para a Igreja, uma vez que Elisabete continuou a fazer seu trabalho de caridade durante todo esse tempo. Finalmente, ela entrou no Carmelo de Dijon em 1901, e lá ficou até morrer em 1906, com 26 anos, acometida da doença de Addison, em que as glândulas suprarrenais (também chamadas de glândulas adrenais) não são capazes de produzir quantidades suficientes de hormônios, recebe esse nome porque foi descoberta pelo médico inglês Thomas Addison, em 1849.
Elisabete escreveu diversas obras de profunda espiritualidade sendo a mais conhecida a oração “Ó meu Deus, Santíssima Trindade que adoro”, em que reza: ajudai-me a esquecer-me inteiramente para me fixar em Vós, imóvel a pacifica como se a minha alma estivesse já na eternidade. Que nada possa perturbar a minha paz, nem fazer-me sair de Vós, ó meu Imutável, mas que cada minuto me faça penetrar mais na profundidade do vosso Mistério.
O Cardeal Albert Decourtray, que foi bispo de Dijon entre 1974 e 1981, foi curado de câncer através da intercessão de Elisabete, um milagre que permitiu sua beatificação pelo papa João Paulo II, no dia 25 de novembro de 1984, festa de Cristo Rei. E sua festa é celebrada no dia 8 de novembro.
A cura reconhecida pelo Papa Francisco em 4 de março foi o de Marie-Paul Stevens, uma mulher belga que tinha síndrome de Sjögren, uma doença glandular. Em 2002, Marie pediu à Beata Elisabete para ajudá-la a superar os desconfortos extremos da doença, e em ação de graças, fez uma visita ao mosteiro carmelita de Dijon. E quando ela chegou ao mosteiro, ficou completamente curada.
Seu biografo, Anthony Lilles defende que ela sentia que tinha uma missão espiritual para ajudar almas a ter um encontro mais profundo com Cristo Jesus. A missão dela era levar as almas a um silêncio profundo, onde Deus poder-se-ia imprimir nessas almas tornando-as mais parecidas com Deus.
Faleceu no dia 9 de novembro de 1906 vítima de úlcera estomacal, murmurando, quase cantando: “Vou à luz, ao amor, à vida”.
Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.