terça-feira, 27 de outubro de 2020

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EDUCAÇÃO E QUALIDADE DE ENSINO

Em termos de estruturas físicas, escolas construídas, rede pública, quadro de professores, em todos os níveis, com recursos ampliados (como recentemente a aprovação do caráter permanente do Fundeb (sob ameaça de perder recursos para programa eleitoreiro), a Educação brasileira deu avanços). Mas não houve a garantia do mais importante: a qualidade de ensino. O Brasil continua com baixa posição no Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (PISA), com alunos que concluem o ensino médio sem saber fazer leitura e interpretação de texto, fazer uma redação ou mesmo com deficiências em matemática, poucos sabendo falar bem ao menos uma língua estrangeira, etc. Mesmo nas Universidades, o nível continua insatisfatório, com produção acadêmica que poderia ser mais expressiva e em mais quantidade, tendo em vista as dimensões continentais do nosso País.
Quando se fala em qualidade de ensino, é preciso saber que ela se efetiva na prática e não apenas com teorias e questões subjetivas. O que interessa é que os alunos consigam sair do ciclo escolar (do ensino básico ao superior) realmente capacitado a lidar com os temas da vida, principalmente da especialidade profissional e pessoal de cada um. Para isso, é preciso que haja investimento qualitativo na formação dos professores e profissionais de Educação. “A formação teórica e prática do professor poderá contribuir para melhorar a qualidade do ensino – explica Francisco Lazaro Alves Gama – visto que, são as transformações sociais que irão gerar transformações no ensino. Isto desperta uma revisão da prática docente e a necessária e consequente reformulação da profissão docente que rompe com antigos conceitos do professor tradicional, acadêmico, enciclopedista, especialista, técnico com transmissão de conhecimentos prontos, acabados, com postura de ser ‘o dono da verdade’, com receitas e procedimentos de intervenções planejadas, numa forma mecanicista do ato de ensinar”. O mundo hoje é plural e diversificado, daí a necessidade de uma postura mais dialogal, mais aberta à construção do conhecimento, a partir da realidade vivida. E completa: “A prática docente contribui para melhorar a qualidade do ensino, pois, o professor que só transfere conhecimento está contribuindo muito pouco para a melhoria para a melhoria do ensino. O professor deverá ser um mediador do processo educativo, e assim, propiciar ao aluno uma aquisição de conhecimento, ou seja, o aluno participa do processo educativo adquirindo conhecimentos que lhe serão úteis. Mas, falar em professor mediador no nosso sistema de ensino parece ser coisa abstrata, as universidades não preparam o professor para agir dessa maneira, o professor é mal remunerado e deve trabalhar em mais de uma escola para sobreviver, os alunos a cada dia estão mais desinteressados e as escolas não tem estrutura para atender as necessidades dos alunos e dos educadores. Esses são apenas alguns problemas pelos quais o professor se tornou um repassador de conteúdos e não um mediador do conhecimento”.
Mesmo assim, é preciso que haja uma compreensão melhor de metodologias que deram certo, no passado, para um aproveitamento das possibilidades presentes. Estamos diante de um desafio que nos leve a conservar o que deu certo no passado e a inovar mediante as novas exigências do presente e do futuro próximo. Tudo isso em busca de uma Educação que tenha efetiva qualidade de ensino.

Valmor Bolan é Doutor em Sociologia. Professor da Unisa. Ex-reitor e Dirigente (hoje membro honorário) do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras. Pós-graduado (em Gestão Universitária pela OUI-Organização Universitária Interamericana) com sede em Montreal-Canadá.

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