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segunda-feira, 24 de junho de 2024

Artigos

Educação, Arte e Tecnologia Digital

A educação on line já era uma realidade em expansão antes da pandemia de 2020, mas teve maior procura pelas necessidades decorrentes do impacto da crise sanitária, em nível global. Hoje, as escolas do mundo todo, em todos os níveis, vêm buscando se adaptar, em meio aos novos desafios. Educação e arte se fundem nessa nova perspectiva, com muitas possibilidades novas de interação, troca de informação e criatividade. Como afirma Yuk Hui, em entrevista a Daniel Gigena, “no século XX, o desenvolvimento da tecnologia digital nos apresenta não só uma variedade de mídias, mas também a possibilidade de melhora e inovação. A arte digital, que tem a possibilidade de se desenvolver com muita rapidez, tornou-se onipresente”. E acrescenta que “no século XX, a tecnologia digital só estava ao alcance dos profissionais, mas em fins do século XX se espalha. Hoje, quem tem um computador, um celular, um iPad ou ferramentas de produção profissional é capaz de criar arte. Isto também reabre a questão do amador e a possibilidade de uma nova educação da sensibilidade”. A partir dessas novas oportunidades criadas pela tecnologia digital, a educação e a arte vão ampliando o seu alcance. O que antes era possível apenas a profissionais especializados, agora qualquer pessoa, de qualquer categoria social, de qualquer parte do mundo, pode utilizar a tecnologia digital para aprender, ensinar e fazer arte.
O público em geral sempre será exigente, daí a importância de cada educador e artista se aprimorar em sua atividade, aperfeiçoamento que também requer a utilização da tecnologia digital, para que seja capaz de produzir melhor, para um público cada vez maior. Isso significa também ganho financeiro. Hoje, há muitos educadores atuando na internet, com cursos on line, com um número crescente de alunos, seguidores, apoiadores e colaboradores. E a tendência é aumentar mais. Por isso todo investimento nesse campo é promissor. Cada educador e artista deve estar aberto, para aproveitar os recursos disponíveis e desenvolver melhor suas atividades.
Nesse sentido, ainda como explica Yuk Hui, “o medo atual da máquina é problemático. Em vez de se preocupar com a substituição dos humanos pelas máquinas, o que empiricamente falando é supérfluo, porque surgem novas indústrias quando as mais antigas são automatizadas (a automação das fábricas e o surgimento do capitalismo de plataforma aconteceram ao mesmo tempo, ao passo que este último absorveu o desemprego causado pelo primeiro), é melhor planejar o que pode ser um futuro em que os humanos possam coexistir com as máquinas e se beneficiar delas”. A tecnologia pode ser utilizada para melhorar a qualidade da produção educativa e artística. De modo algum, as máquinas substituirão educadores e artistas, como temem alguns. Haverá interação, complementaridade, mas o ser humano continuará usando a tecnologia como ferramenta auxiliar, para que a tecnologia possibilite expressar melhor a humanidade de cada pessoa. É isto que esperamos, em todo esse processo.

 

 

Valmor Bolan é Doutor em Sociologia.
Professor da Unisa. Ex-reitor e
Dirigente (hoje membro honorário)
do Conselho de Reitores das
Universidades Brasileiras.

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