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É preciso ficar alerta contra as falsas esperanças
Esperar é uma necessidade primária do homem: esperar no futuro, acreditar na vida, o chamado “pensar positivo”. Mas é importante que essa esperança seja posta naquilo que pode deveras ajudar a viver e a dar sentido à nossa existência. É por isso que a Sagrada Escritura nos alerta contra as falsas esperanças que o mundo nos apresenta, desmascarando a sua inutilidade e mostrando a sua insensatez (…).
Certa vez, em Buenos Aires, devia ir de uma igreja para outra, mil metros, mais ou menos. Fiz o trajeto a pé. Há um parque no meio, e no parque havia pequenas mesinhas, onde estavam sentados os videntes. Estava cheio de gente, que faziam até fila. A pessoa lhe estendia a mão e ele começava, mas, a conversa era sempre a mesma: há uma mulher na tua vida, há uma sombra que vem, mas tudo vai correr bem… E depois, a pessoa pagava. E isso te dá esperança? É uma segurança, permita-me a palavra, de uma estupidez! Ir até um vidente que lê as cartas: isso é um ídolo! Enquanto que na esperança da gratuidade, que Jesus Cristo nos trouxe, gratuitamente dando a vida por nós, por vezes não confiamos muito nele (…).
Eis a maravilhosa realidade da esperança: se confiarmos no Senhor, nos tornamos como ele, a sua bênção nos transforma em seus filhos, que partilham a sua vida. a esperança em Deus nos faz entrar, por assim dizer, no raio de ação da sua recordação, da sua memória que nos bendiz e nos salva.
E então pode brotar o aleluia, o louvor ao Deus vivo e verdadeiro, que por nós nasceu de Maria, morreu na cruz e ressuscitou na glória. E nesse Deus nós temos esperança, é esse Deus, que nunca é um ídolo, nunca desilude (Papa Francisco, Catequese sobre a Esperança Cristã, 11 de janeiro de 2017).