quarta-feira, 02 de dezembro de 2020

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E então, o que mudou?

A palavra mudança, na maioria das vezes, gera uma certa ansiedade. Independente de qual seja a origem ou necessidade, sair do status incomoda. Mudar faz parte da vida, nos deitamos em um dia e, no outro, quando acordamos, já estamos diferentes. De maneira menos filosófica, mudamos de roupa, casa, carro, carreira e até de opinião.
Nos últimos meses, houve muitas mudanças de rotina, hábitos e forma de se relacionar com o consumo. Saímos dos escritórios para o home office, das aulas presenciais para o EAD (Ensino a Distância), das frequentes reuniões para as videoconferências, do consumo físico para o virtual. Até a nossa vida social está diferente: com as lives assistimos a shows e palestras, fazemos cursos, nos encontramos com amigos e familiares e compramos de tudo, no mesmo espaço, as nossas casas.
As mudanças podem ser motivadas por necessidades particulares ou impostas por cenários diversos. Neste segundo caso, nos pegando de surpresa e com maior impacto e traumas.
Ao término da Guerra Fria, na década de 90, foi criado um termo para descrever o momento do pós-guerra: VUCA (originado pelo acrônimo das palavras em inglês Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity), que em português significa Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade, respectivamente.
No meio corporativo, sobretudo com a era digital, esse termo volta a ficar em alta, ganhando destaque no momento pós-pandemia. Como lidar com tantas mudanças é o nosso maior desafio. É preciso enfrentar o inesperado, compreender as mudanças comportamentais, não apenas as nossas, mas das pessoas à nossa volta, sem perder o equilíbrio, e estar pronto para as tomadas de decisão.
Levando para o meio empresarial, onde aprendemos com o passado, vivemos intensamente o presente e olhamos o tempo inteiro para o futuro, o mundo VUCA se torna ainda mais desafiador. Por isso a necessidade de conhecer bem cada um desses termos e pensar em estratégias que nos ajudem a mitigar seus impactos.
Volatilidade – As mudanças acontecem com mais frequência e em maior quantidade, desafiando a capacidade das empresas de acompanhar o mercado com a devida agilidade.
Incerteza – Cada vez menos os comportamentos se repetem, mascarando constantemente as estatísticas, indicadores de análises e comparativos, ou seja, dificultando para os gestores sua utilização na previsão de cenários e projeções futuras. Lidar com o imprevisível não é tarefa fácil.
Complexidade – Nada mais é tão simples. Tudo e todos estão conectados, como dizem por aí, tudo junto e misturado. Consumidores omnichannel (integrados em vários canais de venda) exigindo o emprego de muita energia para gerar ações e resultados em ambientes tão complexos e cheios de variáveis.
Ambiguidade – Nada é concreto e quase tudo é incerto. Muito mais feeling e prática do que teoria. Em resumo, interpretações subjetivas prejudicando a assertividade em propostas de soluções.
A boa notícia é que, ainda assim, é possível fazer gestão. E a pergunta-chave no planejamento estratégico não é “se” vamos passar por mudanças e sim “quando” vamos, independente de quanto tempo sua empresa está no mercado, seu porte ou área de atuação.
Portanto, esteja preparado para lidar com mudanças de forma ágil e resiliente, mas sem teimosia. Com muito foco e disciplina, sem perder a flexibilidade e, por último, mas não menos importante: faça uma gestão eficiente, baseada em um bom planejamento estratégico, com matrizes de governança e apoio de métricas e indicadores.

Jean Dunkl
Palestrante, empreendedor, consultor em gestão
estratégica de negócios

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