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sábado, 31 de maio de 2014

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É em São Paulo que falta água?

A presidente Dilma e o governador Alckmin têm que melhorar muito. Veja só, a “presidenta” foi a São José de Piranhas, na Paraíba, visitar as obras inacabadas da Transposição e resolveu contar uma peta (texto como a presidente falou): “Acontece uma coisa engraçada no Brasil, não sei se vocês já notaram. Quem nunca fez desanda a cobrar de quem fez… O São Francisco, queridos, é o rio que beneficia mais a população nordestina e vai garantir uma diferença de qualidade. Principalmente quando nós estamos vendo hoje uma situação muito difícil no Estado mais rico da Federação, São Paulo, que é a falta de água no reservatório da Cantareira. Mas lá não tem uma obra dessa proporção para garantir a segurança hídrica”. 
É inacreditável, mas ela que não fez a transposição de nenhuma gota de água, faz graça com a falta d’água em São Paulo, no sistema Cantareira… Acontece que em três meses o governador Alckmin fez as obras que “transpôs” as águas do volume morto para a captação que está sendo distribuída para população paulista. São Paulo, como um todo, não ficou um dia sem água, já o Nordeste continua com o sonho de liberdade de ter água do Rio São Francisco e aplaude a bazófia dita em pleno Sertão. Seriam os nordestinos os mais pacatos brasileiros? 
E quem não fez? A obra da Transposição do Rio São Francisco, que tinha previsão de entrega em 2010 (eixo leste) e 2012 (eixo norte), tem conclusão prevista apenas para o final de 2015. Os nordestinos acreditaram nessas promessas em 2006 e 2010… Seriam eles os mais crentes do Brasil? E a estimativa de custo saiu de R$ 4,6 bilhões em 2007 para, hoje, R$ 8,2 bilhões. Quatro Pasadenas jogadas fora? 
E para salvar a honra da presidente e constranger o Alckmin a fazer racionamento, a Agência Nacional de Águas (ANA), do governo federal, quer que a captação da Cantareira seja relacionada ao volume de chuvas de períodos de 15 dias… Republicana essa agência, não? Não! Represa serve para que, fazer política partidária? 
Mas o Seo Alckmin também poderia fazer mais, mandar seu governo instalar captação de águas pluviais e a Sabesp conceder descontos para quem implantar. O estado poderia ainda licitar alguma empresa para fornecer os sistemas aos cidadãos e empresas pequenas interessadas e aportar uma verba para financiar os compradores. Além de receber o aporte com juros, parte dos lucros poderia ser paga à Sabesp. A concorrência poderia estabelecer os valores. 
As eleições estão aí, a dona Dilma terá dois competidores de peso. Além de ter que explicar porque o pré-sal não fez do país uma “Opep” (quanto está valendo a Petrobras Pré-Sal mesmo?), porque está falindo todo o setor energético brasileiro e porque as obras da Copa do Mundo não ficaram prontas. Pois é, de 167 obras anunciadas, apenas 68 estão prontas, sendo que 11 foram abandonadas. 
A presidente ainda pode salvar parte de seu governo evitando uma crise energética mandando o Banco do Brasil e a Caixa financiarem brasileiros que querem implantar energia solar e eólica “grid-tie” nas casas e pequenas firmas. Isso se ela enxergar a crise vindo… 
 
Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano. 

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