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terça-feira, 02 de março de 2021

Artigos

E as vacinas chegaram . . .

Caro leitor,
Em menos de um ano após o início da pandemia do novo Coronavírus, a chamada COVID – 19, as vacinas Coronavac, do laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan e a Oxford/AztraZenica, da Fiocruz, duas instituições centenárias, cujos cientistas se empenharam e, em tempo recorde, são aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), no dia 17 de janeiro deste ano, destinadas à imunizar a população brasileira, no PNI – Plano Nacional de Imunização, conforme nota do Ministério da Saúde, trazendo-nos de volta a esperança em dias melhores e que esse gigantesco trabalho logístico, apesar dos tropeços, coloque o Brasil em destaque contra esse vírus.
Nós, os paulistas saímos na frente, imunizando no mesmo dia, a sra. Mônica Calazans, moradora de São Paulo, negra e profissional da saúde, atuando na linha de frente da COVID, no Hospital Emílio Ribas, primeira brasileira a receber a primeira dose da vacina. Depois dessa largada, o imunizante começou a ser distribuído para o Estado e todo o Brasil. Em Barretos, a vacinação teve seu início na manhã de quinta-feira, dia 21 de janeiro, seguindo o calendário de prioridades e de forma espontânea.
No entanto, em plena terceira década do século XXI, é triste ver a politização da vacina, milhares de ‘fakenews’ são espalhadas diariamente, colocando em dúvida a eficácia do imunizante, bem como os efeitos colaterais, como a transformação em jacaré, mudança de DNA e outras aberrações, além de desclassificá-la por xenofobia, devido ser de origem chinesa. É de se estranhar que as pessoas acreditem que a vacina, que é para salvar vidas, terá efeito contrário.
No Brasil, no início do século XX, mais precisamente, em 1904, quando era presidente da República, Rodrigues Alves, o Rio de Janeiro, então Capital Federal, passava por uma modernização, promovida pelo prefeito Pereira Passos. Ao mesmo tempo, era necessário combater as epidemias que dizimavam a população, em virtude da falta de higiene, o presidente foi convencido pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz, diretor da Saúde Pública, a decretar a lei da vacinação obrigatória contra a varíola. No entanto, a população não foi esclarecida sobre a necessidade da vacina, diversos setores da sociedade reagiram à medida: para alguns, a aplicação da vacina em mulheres, num tempo onde elas se vestiam cobrindo todo o corpo, mostrar os seus braços para tomar a vacina era visto como imoral; para outros a obrigatoriedade ia contra a liberdade individual, pois os agentes sanitários invadiam a casas para aplicar a vacina à força; outros, ainda, não compreendiam como uma doença poderia ser evitada com a introdução de seu próprio vírus no corpo; somando-se a isso, com a ajuda da imprensa, corriam boatos de que a vacina, em vez de imunizar, provocaria a doença. O descontentamento das pessoas, incluindo políticos e militares de oposição, que se aproveitaram, e, em um levante contra o governo, provocaram uma grande revolta popular nas ruas do Rio de Janeiro, conhecida como a ‘Revolta da Vacina’, que acabou contida pelo governo. E a vacinação continuou, e, em poucos meses a varíola desapareceria da Capital Federal.
Bem, naquela época, até os positivistas, que haviam proclamado a República, se opunham às novas mentalidades científicas, juntando-se à ignorância e ao analfabetismo que era gritante. No entanto, durante o século XX, foram desenvolvidas vacinas, que já constatamos suas eficácias, e que são consagradas para prevenir doenças, como tuberculose, paralisia infantil, gripe, sarampo, varíola.
Hoje, vemos com tristeza, o famoso jeitinho brasileiro, o fura-fila, a predominância da ‘Lei de Gerson’, tentando levar vantagem em tudo, incluindo aí os políticos e pessoas influentes, em detrimento do pessoal que estão na linha de frente nos hospitais e idosos, já que a quantidade de doses é pequena diante da demanda.
Apesar da vacinação, é recomendado continuarmos com o uso de máscaras e distanciamento social, além das medidas de higiene, como lavar as mãos com sabão ou álcool em gel.

José Antonio Merenda
Historiador e presidente da ABC ´Academia Barretense de Cultura

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