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segunda-feira, 04 de março de 2024

Artigos

Do Banco Central à Justiça Social

Quando eu era jovem, ouvia que o Instituto Tecnológico da Aeronáutica, o ITA, formava muitos engenheiros que não “engenheiravam”, pois a Bolsa de Valores os contratavam porque sabiam matemática.
Entendi isso quando, no início da pandemia da Covid-19, uma deputada de SP incluiu-me em um grupo de empresários e eu apliquei uma progressão geométrica (PG) para prever que morreriam 15.600 brasileiros em apenas 17 dias, o mesmo número de mortos em dois meses, muitos não acreditaram… Ou seja, eles não sabiam PG, certamente não entendiam juro composto, que também é uma PG. Pensei: o Brasil está liquidado, pois a elite empresarial não entende o básico!
A inflação anualizada de Abril caiu para 4,18%, isso significa que o juro real do BC (o maior do mundo) agora é 9,19% ao ano (faça você mesmo a conta: 1,1375/1,0418). Juros que matam a economia, a macro, porque a micro, gera miseráveis, pois tem juros de 9% ao mês. Nos EUA, por exemplo, a inflação anual está em 5% e o juro anual em 5,25%, ou seja, juro real de 0,25%? Não, é de 0,238%. Isso mesmo, você leu certo, pequeníssimo!
Desde a Rerum Novarum, a Igreja condena o comunismo, o socialismo e a exploração humana do capitalismo e do liberalismo, o ser humano deve ser o centro da economia. Mas foi com a Encíclica Laudato Si, Sobre o Cuidado da Casa Comum, do Papa Francisco, que a Igreja inova e coloca em evidência nossa irmã, a mãe terra (§1).
Um dos maiores problemas da humanidade é a poluição. A exposição aos poluentes atmosféricos produz doenças e provocam milhões de mortes prematuras (§20). Produzem-se centenas de milhões de toneladas de resíduos não biodegradáveis anualmente, como detritos de demolições, clínicos, eletrônicos e industriais, resíduos tóxicos e radioativos (§21).
O clima é um bem de todos e para todos. A humanidade é chamada a mudar de vida, de produção e de consumo, para combater o aquecimento global. Especialmente pelo consumo de petróleo e pelo desflorestamento (§23). Muitos que têm poder econômico ou político parecem mascarar os problemas ou ocultar os seus sintomas das mudanças climáticas (§26).
A questão da água também é vital, o esgotamento dos recursos naturais, o desperdício dos ricos, a carência para os pobres, Este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso à água potável e é previsível que o controle da água será feito por grandes empresas mundiais (§§27 a 31).
Por isso, a realidade social do mundo atual exige que se continue a perseguir como prioritário o acesso ao trabalho para todos (§127). Ajudar o pobre deve sempre ser provisório, o verdadeiro objetivo é prover uma vida digna através do trabalho (§128). Para se conseguir dar emprego, é indispensável promover uma economia que favoreça a diversificação produtiva e a criatividade empresarial (§129).
Essa criatividade deve ser fomentada pela classe política, seja no reposicionamento das massas demitidas, seja na geração de trabalho financiados com recursos públicos focados na ecologia, combate às seca, às enchentes, ao desperdício de alimentos e recicláveis, à conservação do patrimônio público.

 

 

Mario Eugenio Saturno
(cientecfan.blogspot. com)
é Tecnologista Sênior do
Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (INPE) e congregado mariano

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