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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

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A dívida do amor ao próximo não pode ser saldada

É compromisso para a vida toda e ninguém está isento: “Irmãos, não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo…” (Rm 13, 8a). Além de ser um mandamento de Deus para quem crê, é condição de harmonia e paz para o mundo. Trata-se, portanto, de um compromisso permanente do qual jamais podemos nos dispensar, pelo contrário, devemos nos esforçar para saldar dia após dia parte dessa dívida, de forma tal que se torne um hábito e uma constante em nossa vida e contagie quem estiver por perto.
Apesar de parecer utópico e obsoleto, o amor ao próximo e, por consequência, a fraternidade, o respeito e a boa convivência, não podem ser relegados à indiferença nem tão pouco ser dados como pressupostos, uma vez que, concretamente, o que vemos é o inverso disso. O mais perigoso de tudo é não nos surpreendermos com os atos de violência e atrocidades que, cotidianamente, tomamos conhecimento; é justamente essa indiferença ou insensibilidade em relação ao mal que faz com que ele se torne ainda mais frequente.
O discurso e a prática do bem não podem se esgotar; devemos responder ao mal e seus efeitos com uma imensidão de bondade e amor capaz de preencher todos os espaços e impedir que as forças do mal se alastrem. É tarefa diária e a longo prazo e deve começar no lar. O ambiente familiar torne-se, portanto, um solo fecundo para semear o amor e o respeito desde muito cedo; os filhos sejam educados para serem pessoas de bem, honestas, responsáveis e caridosas e descubram o valor e a necessidade de se amar o próximo, não como mero cumprimento de preceito ou para serem reconhecidos, mas na consciência fraterna e, ainda que não se creia em Deus que nos faz irmãos, ao menos que seja pela mesma natureza que nos iguala em espécie e essência.
“O amor não faz nenhum mal contra o próximo” (Rm 13, 10), portanto, não tenhamos medo do amor, pois é ele quem nos eleva em dignidade e nos aproxima da nossa essência: fomos feito do amor para amar. Num mundo marcado por extremismos, divisões e conflitos de toda natureza, o amor torna-se não só um antídoto contra as forças do mal, mas também a única alternativa verdadeiramente eficaz para transformação das realidades, tornando-as mais sadias e habitáveis.
Do amor todos somos devedores e devemos empenhar nossa vida para saldar progressivamente essa dívida. Diariamente somos convidados a liquidar suas parcelas por onde passarmos, comprometendo, dessa maneira, todos os que cruzarem conosco, de modo que se sintam também eles em débito. Esta é a única dívida que, quanto mais se tenta quitar, mais cresce, no entanto, é também a mais satisfatória de se pagar.
Pe. Fernando Felix Rabelo
Vigário paroquial da Paróquia São João Batista de Olímpia

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