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sábado, 22 de março de 2014

Artigos

Diversão na sala de aula

Um professor da Universidade de Michigan está inovando, criou uma metodologia de ensino que introduz jogos e diversões na sala de aula, com objetivo de estimular e engajar o aluno na disciplina. Mais especificamente, no curso de Introdução a Teoria Política, do professor Mika LaVaque-Manty. 
A estrutura da aula usa os princípios de um jogo. Em muitas atividades próprias dos alunos, eles passam o tempo jogando ou criando seja na sala de aula na escola ou fazendo lição de casa à noite. Em suma, desenvolvendo atividades próprias da diversão. 
Usar jogos tem uma grande vantagem, é familiar aos alunos, que na maioria são calouros ou alunos do segundo ano. Mas o mais importante é a lógica do jogo. Em um sistema de avaliação padrão, o aluno começa com um dez (A no sistema americano), e então vai perdendo pontos, que são descontados conforme o esperado. Já em um jogo, começa-se com zero e, conforme vai-se cumprindo metas, acumula-se pontos. 
Em um jogo, existem algumas coisas que devem ser feitas para se avançar nas etapas do jogo, que no caso da disciplina, serão leituras, trabalhos de casa relacionados com a leitura, assistir a palestras e participar de seções de discussão. 
Os alunos do curso de ciência política têm uma variedade de opções para desenvolver seus trabalhos e são incentivados a usar uma variedade de plataformas para cumprir suas obrigações, de vídeos a blogs, a interagir uns com os outros, e assumir novos desafios de aprendizagem. Uma dessas plataformas, um blog público escrito por vários estudantes do primeiro ano, foi escolhido um dos “100 Melhores Blogs para literatos” em 2009. 
Os jogos permitem também que sejam escolhidas atividades como missões, tarefas, desafios, e permitem ainda ignorar outras atividades, as que são considera geradoras de tensões curriculares. No mundo dos jogos, existem vários caminhos para se vencer. Implicitamente os alunos são incentivados a pensar sobre o que eles são bons e que tipo de desafios eles querem empreender, e não se preocupar com coisas que eles não se sintam tão confortáveis ou achem pouco interessante. 
O método não quer transformar todos os alunos em acadêmicos, mas o que se pode fazer de melhor é oferecer aos alunos ferramentas e habilidades para fazer perguntas interessantes, reconhecer as que são realmente interessantes, para não só respondê-las, mas também buscar resolver problemas que ainda não sabemos as respostas. 
O mais interessante é que esta iniciativa já rendeu ao professor um prêmio nacional de ensino inovador, o “2014 CQ Press Award for Teaching Innovation in Political Science”. Este prêmio é concedido pela Associação Americana Ciência Política e entregue durante a Conferência Anual de Ensino e Aprendizagem que neste ano realizou na Filadélfia. Esta associação foi fundada em 1903, é uma organização de ciência política profissional com mais de 15.000 membros em 80 países. 
Certamente o professor Mika já seria um excelente professor, se ele fizesse o tradicional, mas, em vez disso, ele usou a tecnologia de modo inovador para explorar o talento natural dos alunos e ainda oferecer ama excelente experiência educacional a esses alunos. 
 
Mario Eugenio Saturno (cienciacuriosa.blog.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano. 

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