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domingo, 14 de setembro de 2014

Artigos

Direto da Fonte

Em entrevista…
…nesta semana que passou com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barretos e região um número se destacou. A região que representa o Sindicato tinha uma base de 4.000 trabalhadores. Esse número caiu drasticamente desde que a luta contra as queimadas e a substituição da máquina pelo podão começou. Em Barretos eram 2.000 trabalhadores. Hoje, segundo o presidente do Sindicato, são meros 160. Onde estarão os outros 1.840 trabalhadores?
 
50% desses…
…trabalhadores foram para outra região onde a queimada ainda é possível. Minas Gerais, Mato Grosso etc. Contudo os outros 50% continuam em Barretos. Grande parte contingente é barretense. "Uma percentual foi assimilado pela lavoura da laranja e a outra parte continua desempregada", afirmou Gonçalves. Há cinco anos os 2.000 trabalhadores injetavam na economia R$ 4 milhões mensais. Hoje em média chega a R$ 300 mil. "O comércio periférico, principalmente o varejo, perdeu a força".
 
Não se trata…
…de parar a luta contra as queimadas, mesmo porque cortar cana de podão é quase um trabalho escravo. Trata-se, isto sim, de encarar o simples fato de que falta trabalho em Barretos e sobra mão de obra. A comparação é até corriqueira, mas o Caged informa que Barretos tem 31.000 trabalhares com carteira assinada. A estatística para eleitores acima de 16 anos informa que Barretos tem pelo menos 60 mil pessoas em idade economicamente ativa. Tirando os aposentados e 700 jovens.
 
Barretos quer…
…a todo custo ser uma cidade rural. Mas de rural tem muito pouco. Talvez um punhado de proprietários rurais, que não definem um perfil econômico. Basta estratificar o PIB municipal: R$ 170 milhões vêm do valor adicionado ao setor agropecuário contra R$ 1,4 bilhão que sai do setor de serviços e comércio. Há uma prevalência para o setor de serviços. E dentro deste setor há prevalência para o sub-setor de saúde, que na cidade é de longe o maior empregador.
 
A definição…
…de serviços é de longe a melhor que uma cidade poderia ter. Abrange saúde, comunicação, serviços públicos, educação, financeiras, transporte, armazenagem, cultura, arte, lazer, turismo, entre outras atividades. Na última divulgação do Caged o setor serviços empregou em agosto 12 vezes mais que o setor da agropecuária. E dentro deste setor, só para mostrar que os números caminham na direção certa, serviços de saúde e educação foram os que mais contrataram. 
 
Está claro…
…que o maior problema da cidade não é exatamente a saúde, nem educação, nem moradias, nem segurança pública. O maior problema é a falta de oportunidade, de emprego, e trabalho formal ou informal. Saúde, educação, moradia e até segurança pública são afetadas diretamente quando as pessoas têm formas e maneiras de ganhar seu pão de todo dia. A cidade precisa de uma Agenda 21 e os atuais candidatos estão perdendo uma ótima oportunidade de iniciar esse concerto!
 
A capa…
…da última revista Le Monde Brasil serve para dar uma assinatura definitiva a estas considerações. O título é o seguinte: Por Trás do Marketing Político. O desenho é um candidato que tem sobre o rosto uma máscara sorrindo, a mão direita está estendida segurando uma rosa vermelha, a mão esquerda está atrás das costas segurando um porrete. Ou seja, o marketing político esconde as verdadeiras intenções do candidato. O que se quer é justamente o contrário disso. Sem outras intenções.

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