Ir para o conteúdo

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Dia Nacional da Consciência Negra – Estamos preparados !? (ou) Vocês estão preparados?

Nesse mês de Novembro, onde hoje no Dia 20 é comemorado o Dia Nacional da Consciência Negra, muitas questões, assuntos e dúvidas nos levam a uma reflexão ainda mais profunda do momento que população negra brasileira vive. Avaliando os poucos avanços e calculando os grandes desafios que teremos de enfrentar e combater, num país que carrega nesses atuais indicadores sociais as marcas desiguais de quase 450 anos de escravidão, proponho uma reflexão: Como podemos medir o nível de engajamento para o enfrentamento das desigualdades raciais no Brasil nas três esferas de governo? Pois nosso país só avançara se for capaz de reconhecer que o racismo opera nos mais diversos processos de divisão das classes da sociedade brasileira e que isso é algo impactante, é necessário pensarmos urgentemente um ponto de partida político da luta. Sendo assim, o Brasil vive o grave paradoxo de ser o país que mais investiu em políticas de combate ao racismo no século 21, mas ainda assim as desigualdades entre negros e não negros continuam, e em algumas áreas até foram agravadas.
Essa reflexão nos remete a inúmeros questionamentos e análises deste a percepção das dificuldades básicas em oportunidades de inclusão de uma população que vive infelizmente à margem do “sonho” de desenvolvimento dessa rica nação; aproveitar a grandeza da sua diversidade étnico racial como potencialidade competitiva para incluir e preparar seu povo, até como as polêmicas cotas (ações afirmativas) no ensino superior revelam um distanciamento ainda maior nessa “preparação” nos mostrando a falta de investimento e a necessária e urgente reforma profunda na educação pública do país.
O Movimento Negro Brasileiro em suas mais diversas manifestações também se prepara para importantes pautas, já postas, acerca da promoção da igualdade racial tais como o plano de prevenção à violência contra a juventude negra, o cumprimento das leis de atenção integral à saúde da população afrodescendente, da obrigatoriedade do ensino da história e cultura afrobrasileiras e africanas nas escolas, e o estatuto da igualdade racial, entre outros.
Para todos nós, é o momento do movimento organizado e governo decidirem o quão mais longe estão dispostos a ir para que o Brasil inclua a metade negra da sua população e se transforme numa democracia racial de fato. Precisamos passar das ações pontuais para uma política sistêmica de promoção da igualdade racial. Esse é o desafio.

Igor P. Santos
( igorpsbtos@gmail.com )
Graduando em Geografia UnB e Gestão Pública, colaborador e ativista do Movimento Negro na Cidade de Barretos

Compartilhe: