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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Deus plantou um jardim, Jesus encontrou um deserto

Anualmente, cristãos católicos do mundo todo têm a oportunidade de vivenciar o tempo da quaresma, período em que são chamados a intensificar as práticas da oração, do jejum e da caridade. É um tempo de graça e salvação pré-estabelecido didática, pedagógica e espiritualmente pela Igreja com o desejo de oferecer aos seus filhos a oportunidade de realizarem um fecundo caminho de conversão e santificação por meio dos exercícios espirituais e da prática de alguns preceitos.
Ao realizarmos um breve passeio pela história da nossa salvação é possível compreender a missão do Filho de Deus nesse mundo. Sabemos, através do livro do Gênesis, que Deus nos criou por amor, nos fez sua imagem e semelhança, soprou sobre nós o seu Espírito, plantou um jardim para que nele habitássemos em comunhão com os demais seres criados e com o próprio criador (Gn 2, 7-9). No entanto, aos nos criar à sua imagem e semelhança, nos fez também totalmente livres para escolhermos entre o bem e o mal (Gn 2 16-19) e, uma vez optando pela desobediência e o abandono do projeto de Deus, rompeu-se a plena comunhão que havia simbolizada pela expulsão do paraíso (Gn 3, 23-24).
Não obstante as infidelidades da humanidade que foram inúmeras, Deus permaneceu fiel e, por amor, jamais nos abandonou ao poder da morte, ao contrário, nos ofereceu inúmeras vezes uma aliança, nos instruindo por meio dos profetas, na esperança de nos salvar. De tal modo nos amou que, chegada à plenitude dos tempos, nos enviou seu próprio Filho para ser o nosso salvador (Oração Eucarística IV).
O Episódio de Jesus no deserto (Mc 1, 12-15) sintetiza todo ideal de Deus em relação a nós. Vencendo as tentações do demônio, Ele anula definitivamente a culpa que pesava sobre nós – desde a desobediência de Adão – e com seu sacrifício na cruz completa sua obra levando-a plenitude. Hoje, somos impelidos pelo mesmo Espírito Santo a nos enxergar nesse deserto, que é a realidade do mundo após o pecado, e lutar contra tudo que nos afasta de Deus.
Fortalecidos pela oração e pelas demais práticas quaresmais, levemos aos desertos de nossa existência tudo aquilo que desejamos e necessitamos vencer para que, livres, possamos amar e servir com maior generosidade e disponibilidade, colaborando na construção do Reino de Deus.

Fernando Felix Rabelo
Seminarista

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