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DESPEDIDA
Há momentos em nossa vida em que devemos parar e meditar. É o que faço agora. É hora de um balanço. Nasci pobre e devo morrer muito rico, com um acervo espiritual e valores cristãos.
Tudo que este menino sonhou foi conquistado graças ao apoio recebido de pais maravilhosos que não lhe deram o que ele pedia, mas aquilo que ele de fato necessitava. para ser um excelente cidadão.
Estudei com bolsa de estudo. Mocinho ainda ingressei no magistério e fui parar nas barrancas do Paraná. Longe do meu lugar, tentei me adaptar ao meio sem ser absorvido.
Nos momentos de tristeza e saudade subia numa arquibancada de madeira do campo de base-ball dos japoneses e ali tocava minha gaita de boca lembrando-me dos meus pais, meus irmãos, dos amigos e da minha Barretos.
Não foi fácil vencer a solidão, mas foi um excelente aprendizado de vida. Meus professores eram baianos analfabetos que me mostraram o outro lado da vida: a pobreza, a luta pela sobrevivência, costumes e crenças que jamais entendi, mas que respeitei. Hoje lembro-me desses professores que Deus colocou em meu caminho: Zé Roxo, Chico, Nelson, o Zeca…
Eu me removi para Utinga, um bairro de Santo André. Ali convivi com milhões de pessoas. Eram milhões mesmo, milhões de desconhecidos e experimentei ali a dor da solidão, por incrível que pareça
Em Utinga eu me casei com a Célia, que foi a minha melhor decisão: esposa, enfermeira,mãe, conselheira tudo…Voltei em remoção para minha terra. Aqui prestei concurso para diretor de Escola e fui nomeado para o Grupo Escolar Cel. Segismundo de Novais, em Adolfo Pinto. Dali me removi para Colômbia. Em seguida prestei o concurso para supervisor de ensino e fui promovido. Mais tarde, já em l981, fui nomeado pelo Secretário da Educação para dirigir a Delegacia de Ensino de Barretos, o que ocorreu até 1.983.quando me aposentei, no dia 3 de abril desse ano.
Convidado pelo amigo, Prof. Dorival Pires, fomos para a Rádio Barretos, então de propriedade de Alfredo Tristão onde comecei minha vida de radialista no dia 4 de abril de 1983.
Terminei minha vida de trabalho um mês antes de completar 82 anos de idade dia 02-07-14. Confesso de coração, saio do trabalho consciente de tudo, mas fisicamente desgastado. Tenho consciência de que dei o melhor de mim em todas as empreitadas.
Apesar de ocupar posições de destaque (professor, Diretor, Inspetor Escolar, Delegado de Ensino, Vereador à Câmara Municipal de Barretos, membro da Academia Barretense de Cultura) jamais o orgulho ou vaidade me subiu à cabeça.
O meu Deus, que é o Deus de todos nós, me concedeu os filhos mais maravilhosos- Paulo de Tarso, Maria Cristina, Luís Antonio, Marcelo e Edmar. Tenho motivos de satisfação da vida. Na escola, aquele olhar de ternura de um garotinho de 1º ano foi um presente de Deus, Como diretor de escola jamais esquecerei um presidente da Caixa Escolar de minha Escola chamado Ananias do Nascimento, em Colina. Ele se desdobrou para que jamais faltasse qualquer coisa para a sopa escolar e nesta época de frio, não me esqueço: lá estava ele com inúmeros fardos de flanela para se fazer agasalhos para os meninos pobres. Não me esqueço dos professores, diretores, de todos. Minha carreira no Magistério foi bem sucedida pelo apoio e ensinamentos recebidos de dois grandes mestres: Prof. Dorival Teixeira e Prof. Luiz Castanho Filho.
Para encerrar quero agradecer aos meus aos ouvintes pelas emoções que me proporcionaram. Por fim agradeço de coração aos policiais militares e civis com os quais convivi, pelo apoio, e quero agradecê-los, pois senti de perto o valor do trabalho desses homens e mulheres Quero dizer a eles que se o reconhecimento aqui deixa a desejar, lá em cima um Juiz está atento a tudo. Quanto a mim, estou apenas esperando que esse Juiz dê o apito final do jogo, quando me despedirei do campo da vida..
Edmar Morais