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domingo, 21 de julho de 2024

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Desenterrar Jesus do próprio coração

Ainda nesse Tempo Pascal, em que devemos continuamente meditar no milagre da nova vida com que Deus nos presenteou através da vitória sobre a morte empreendida por seu Filho, tem muita gente, com certeza, que ainda continua com Jesus no sepulcro de seu coração. Sim, à semelhança com aqueles apóstolos que só viram o seu fracasso na cruz quando, ali impotente como nunca fora, no entanto não conseguiu descer de lá e mostrar todo o seu poder aos seus algozes. Esconderam-se, à exceção do discípulo amado.
No terceiro dia, vivo de novo, apareceu a muitos, homens e mulheres. Tomé, porém, continuou descrente durante mais uma semana. Estava fora da comunidade eclesial. Por isso não viu logo, no dia da Ressurreição. Quem fica fora, de fato não vê, não entende, não crê.
Por “quarenta dias” Jesus conviveu ainda com muitos discípulos, mais de 500 deles, segundo Paulo, até à sua ascensão, segundo Lucas.
“Quarenta” não é um número matemático como sabemos hoje. É uma expressão bíblica, e pode significar: “por uma geração”, isto é, o tempo estimado e médio de vida de uma pessoa; por muitos séculos foi assim.
Se neste terceiro milênio em que estamos a média de vida das pessoas já é quase o dobro daquela de nossos antepassados, o significado continua o mesmo para cada pessoa que se diz cristã, mas que durante toda a sua vida continua deixando Jesus no túmulo em que se encontra no seu coração, enterrado ainda, como que morto.
Isso porque esses “cristãos” não entenderam a mensagem d´Ele: viver em comunidade, em comunhão, alimentando-se todos juntos principalmente no primeiro dia da semana com o Pão da Palavra e com o Pão Eucarístico, amando uns aos outros como ele nos amou.
Para essas pessoas ainda não aconteceu a Páscoa. Jesus não ressuscitou nelas. Ainda está na mansão dos mortos. E assim, o que é pior, o tempo vai passando, um tempo pascal em seguida de outros, mas sem significado, sem mudança, sem conversão, e com tantas quaresmas perdidas. Daí seguem-se tempos comuns, vazios, improdutivos.

 

 

(Por: Diácono Lombardi)

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