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DESCREDENCIAMENTO DE UNIVERSIDADES
O descredenciamento de universidades brasileiras é uma vergonha para o País, principalmente para aqueles que se propõe a oferecer educação com qualidade, e não correspondem com os pré-requisitos básicos exigidos pela Lei para fazer funcionar de modo satisfatório as instituições que administram. Nesta semana, o MEC descredenciou duas Instituições Universitárias no Rio de Janeiro: a Gama Filho e o Centro Universitário da Cidade (Universidade). O colegiado Superior da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior interveio nas duas IES, que já estavam com o vestibular suspenso pelo MEC. Os alunos terão agora de buscar transferências, entre outros transtornos decorrentes dessa situação.
A Galileo Educacional, que administra as duas instituições, reconheceu em comunicado á imprensa, de que “o descredenciamento põe em risco o emprego de 1.600 professores e cerca de mil funcionários administrativos, além de comprometer o futuro de milhares de estudantes.” E disse que irá recorrer da decisão do MEC. Repórter do G1, em Brasília, Felipe Néri, explica que “com o descredenciamento, o ministério lançará um edital público, no prazo de até cinco dias úteis, convocando universidades que tenham condições e interesse de receber os alunos das instituições fechadas. A chamada ‘transferência assistida’ tem como objetivo facilitar o processo de mudança de instituição que deverá ser feito pelos alunos.” Este processo já está em curso.
O fato é que como pano de fundo de toda essa questão está a opção de muitas Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras pelo mercantilismo puro e pela irresponsabilidade social e moral. Prevalece o pragmatismo, perdendo, com isso, o sentido pedagógico e educacional das referidas instituições de ensino. Obcecadas apenas com os ganhos financeiros, com a quantidade em vez de qualidade, com as cifras em vez de valores humanos, priorizando o tecnicismo em vez do investimento em qualificação profissional, na valorização do aluno, etc., Tudo isso traz como consequência situações como essas que estamos vendo: o MEC sendo obrigado a intervir, alunos tendo que buscar outras instituições para suprir as lacunas, com prejuízos de tempo e dinheiro e consequentes desgastes em função de todos esses contratempos. É preciso que nossos gestores de instituições de ensino superior reflitam mais e tomem atitudes que correspondam ao que se propõem a fazer. Queremos compromisso, seriedade, e educação com qualidade para todos. E que a sociedade eleve as exigências por IES dignas rejeitando as que comprometem a imagem do sistema brasileiro de ensino superior. Ela não pode delegar ao governo algo tão vital na construção do futuro de seus filhos. Ou a sociedade briga pela qualidade efetiva do ensino em todos os níveis ou a qualidade permanecerá uma quimera.
Valmor Bolan é Doutor em Sociologia e Especialista em Gestão Universitária pelo IGLU (Instituto de Gestão e Liderança Interamericano) da OUI (Organização Universitária Interamericana) com sede em Montreal, Canadá.