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quarta-feira, 24 de abril de 2024

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Dengue: Gestantes têm até quatro vezes mais chances de desenvolver quadros graves da doença

O Brasil ultrapassou a marca de 760 mil casos prováveis de dengue neste ano, de acordo com dados do Ministério da Saúde. O aumento significativo de casos acende o alerta para um grupo específico: as gestantes.

De acordo com a Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo), mulheres grávidas têm um risco de morte quatro vezes maior. Também há três vezes mais chances de morte do feto ou do bebê.

O que acontece é que a dengue afeta diretamente a cadeia plaquetária, favorecendo quadros hemorrágicos. As gestantes já passam naturalmente por alterações significativas em todo o organismo, que fica ainda mais sensível a essas alterações.

A doença pode afetar tanto a gestante, quanto o feto. Nos primeiros meses há um risco maior de aborto espontâneo. Já no fim da gestação, há algumas complicações como descolamento de placenta e parto prematuro do bebê, com todas as complicações relacionadas, como baixo peso e problemas de desenvolvimento.

Outro momento que merece atenção especial é o do parto, onde há um risco elevado de hemorragia durante o procedimento.

Os sintomas da dengue consistem principalmente em dor no corpo e nas articulações, febre, manchas avermelhadas, enjoo e dores abdominais.

Alguns sintomas podem se confundir com outras condições comuns na gestação, por isso a orientação é buscar atendimento para fazer o diagnóstico o quanto antes.

O sinal de alerta máximo para as gestantes são os sangramentos, seja nasal, oral ou vaginal. Dor súbita ou hipotensão postural, que é aquele mal-estar ao levantar de forma abrupta, também são indicativos para buscar um pronto-socorro urgentemente.

Neste momento de circulação intensa do vírus, a orientação para as gestantes é reforçar as medidas de prevenção.

Em caso de sintomas ou suspeita, a orientação é agir imediatamente. Procure um pronto-socorro de confiança e siga as orientações do seu obstetra. Em hipótese alguma use medicamentos por conta própria, pois alguns tipos aumentam os riscos de hemorragias.

Daniella Closer D’Amico, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz

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