quarta-feira, 12 de agosto de 2020

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‘De onde cantam as cigarras’

Caro leitor,
Em 1910, era prefeito de Barretos, o abolicionista, poeta e jornalista, Cel. Silvestre de Lima e, o barretense já podia respirar novos ares. O florescimento de ambiente intelectual era uma marca dessa época, um verdadeiro celeiro cultural. A transformação da cidade, cuja vocação era a pecuária, terra de caipiras e tropeiros, entretanto, contava com uma plêiade de artistas, poetas e homens letrados e estudiosos.
A efervescência cultural no limiar do século passado, os primeiros anos de República, Semana de Arte Moderna de São Paulo e outros acontecimentos foram relevantes ecos de cultura que chegavam a este rincão de Chico Barreto e Librina.
A cidade tomava maior impulso, principalmente, com a chegada, em 1909, dos trilhos da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, que ligava Barretos à Capital Paulista; a iluminação, ainda, era à base de lamparinas de querosene, a luz elétrica chegaria somente no ano seguinte, com a Empresa Orion; o 1º Grupo Escolar de Barretos, nos moldes republicanos, seria instalado em 1912 e a Companhia Frigorífica Agropastoril, do Conselheiro Antonio Prado, começaria a operar em 1913, precursora do Frigorífico Anglo.
É uma viagem no tempo! A obra é interessante, não só para os gremistas, mas sim para todos os barretenses, numa releitura da história da cidade, contada com muita sensibilidade e eficiência, como parte integrante do patrimônio cultural de nossa amada terra, num recorte entre os anos de 1910, quando de sua fundação, até 1945, Momentos marcantes da sociedade barretense são registrados, como o surgimento, no crepúsculo do século XIX, do primeiro jornal da cidade, “O Sertanejo’; as levas de imigrantes; a Sociedade de Mútuo Socorro ‘Unione e Fratellanza’; a Sociedade e Recreio de Barretos; a UEC – União dos Empregados no Comércio; as bandas musicais e tantas outras entidades culturais; a gripe espanhola; as grandes guerras mundiais, Revolução Constitucionalista de 1932; ‘Estado Novo’, de Getúlio Vargas; entre outros.
‘De onde cantam as cigarras’, é uma belíssima obra historiográfica, com 293 páginas, que a professora, historiadora e acadêmica da ABC, Karla Armani Medeiros, nos brinda, nestes tempos de pandemia, e nos mostra garra e compromisso com o fato e a escrita da nossa história, quando o Grêmio Literário e Recreativo de Barretos, a sala de visitas da cidade, dotado de vários espaços de convivência e interação, completa 110 anos. Há a contextualização dos acontecimentos culturais, políticos, econômicos de nossa Barretos, com os nacionais, onde são contemplados 35 anos de muita história, sempre em consonância com o civismo, a assistência e a beneficência. Nesse período, ilustres personalidades do mundo artístico, literário e político visitaram a sua sede. Não se pode deixar de registrar as presenças de grandes oradores e conferencistas em seus salões, e as realizações de saraus, bailes, conferências, concertos e as eminentes participações de nossos conterrâneos.
A confreira Karla se debruçou, diuturnamente, sobre referências bibliográficas, como: jornais, revistas, atas, relatórios, documentos em geral, livros de história e memórias, álbuns comemorativos, livros de assinaturas de visitantes, artigos científicos e material iconográfico muito rico, enfim foi uma pesquisa minuciosa para contar a história do Grêmio, a qual foi solicitada a ela, informalmente, pelo dr. Marco Antonio Teixeira Corrêa, diretor cultural do Grêmio, a quem enaltecemos, juntamente com o presidente, dr. José Eberle Martins Filho, pelo apoio e cordialidade. Essa conversa aguçou sua verve de historiadora e ela ‘topou a parada’.
A obra, por força da pandemia, programada, inicialmente, para ser lançada em abril deste ano, terá seu lançamento virtual no dia 23 de julho, quinta-feira, às 19 horas, através de live no Instagram do Grêmio.
O livro poderá ser adquirido através da rede social da autora (Facebook ou Instagram – @profkarlaarmani ou email: armani.histó[email protected]), bem como na secretaria do clube.
Vale a pena ler esta magnífica obra!

José Antonio Merenda
Ator, diretor teatral, historiador e presidente da ABC – Academia Barretense de Cultura

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