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DE MANSINHO DE MANSINHO
Bom Dia Barretos.
De mansinho de mansinho ela foi se aproximando. Suas primeiras gotas roçaram o teto de meu carro, como que a acariciá-lo, enquanto me dirigia à minha casa, retornando de mais um dia da rotina, casa hospital, hospital casa.
Percebi, ao chegar ao lar, que uma flor solitária, como que se antecipando à primavera, tinha desabrochado prematuramente, e agora abria suas pétalas em direção aos céus, como que a agradecer a DEUS, por aquela benção em forma de gotas que começavam a cair com maior intensidade sobre a nossa querida Barretos.
O ar que adentrava os nossos pulmões, livre do pó, das queimadas e das fuligens, com sua umidade ideal restabelecida, nos proporcionava um conforto respiratório de que a muito necessitávamos. Enfim, ela chegou, e chegou nos padrões que os antigos diziam: “Chuva criadeira”, para designar a chuva que vindo mansinha e demorada consegue penetrar no solo restabelecendo as condições ideais para que a vida emirja de suas entranhas, proporcionando alimentos e alegria. Com ela retorna o trabalho no campo, com sua geração de empregos alavancando a economia.
Bem vinda, pois, chuva da primavera. Os campos, as flores, a agricultura, os pastos, as criações que há muito clamavam por sua volta, hoje estão em festa.
Nossos córregos e rios, que há muito vinham sofrendo com a estiagem prolongada, vendo seu caudal diminuir dia após dia, enquanto uma pesca predatória exterminava os peixes que suas águas carinhosamente protegiam, voltaram a reviver certos que a temporada de chuvas veio para ficar. Rios e peixes também agradecem a DEUS por essa chuva abençoada que veio marcar o fim da estiagem prolongada. A seca nos castigava a todos, sem conseguir sensibilizar os desmatadores e os agressores do meio ambiente. Não se respeita mais as nascentes nem as margens de nossos rios.
Fui dormir com o gostoso tamborilar das gotas no telhado. Acordei na manhã seguinte e ao abrir as janelas deparei com a orquídea branca toda florida como que a me dizer bom dia. Quando os primeiros raios de sol ainda timidamente venciam o esgarçar das nuvens fui contemplado com a visão de um beija-flor, velho conhecido de nosso jardim, executando seu balé por entre as flores externando sua alegria pelo retorno das chuvas. Fiquei a imaginar os peixes dos Rios Grande e Pardo, como se sentiram ao perceber que as águas do rio começavam a receber as gotas salvadoras. O ciclo da vida sempre responde presente à chuva criadora. Ao me dirigir para a Rádio Jornal, fui passando por ipês brancos e amarelos de nossas vias públicas florindo e dando as boas vindas aos novos tempos, que tenho certeza começará agora. Por isso e por tudo isso, deixo aqui a todos vocês, o meu
BOM DIA BARRETOS.