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quinta-feira, 05 de agosto de 2021

Artigos

Dança das cores

A pandemia tem nos apresentado uma acromática dança das cores, onde o arco-íris é composto por azul, verde, amarelo, laranja e vermelho.
Infelizmente as cores mais usadas para compor as tristes coreografias embaladas ao som da covid 19, tem sido o vermelho, o laranja, e de vez em quando o amarelo. Pelo jeito a esperança do verde e a glória do azul ainda vão demorar para se apresentarem no palco da vida.
O vermelho, cor do amor que outrora embalava a dança dos apaixonados, se tornou o ritmo mais temido dos expectadores que precisam dançar conforme a música. Nessa dança não se deve sair de casa, pois o vírus da covid 19 se torna o principal maestro. O comércio, bares e restaurantes fecham suas portas, deixando pais de família apreensivos e com medo de faltar o pão à mesa. Os compositores da dança não se decidem se fecham ou abrem escolas, academias e igrejas, pois hora são essenciais, hora não, e até hospitais fecham suas portas por falta de leitos.
Depois de vários dias dançando no vermelho, o laranja se torna libertador, pois alguns setores podem funcionar com horários e capacidades reduzidos, trazendo um pouco mais de esperança que dançaremos em outras cores em breve. O amarelo teve breves apresentações, que tiveram sabor de verde, pois até noivos se casaram numa recepção pequena, onde as lembrancinhas da cerimônia foram frasquinhos personalizados de álcool gel e as máscaras se tornaram o acessório indispensável dos noivos, padrinhos e convidados.
Os compositores das danças deixam tudo muito confuso, pois alternam as concessões de repente, e de um dia pro outro tudo muda, num piscar de olhos. Na verdade, não existe uma regra fixa pra cada cor, o que era permitido se torna proibido, o que era proibido é permitido, e muita gente acaba fazendo sua própria dança, não respeitando nenhuma paleta. Enquanto a maioria se restringe de muita coisa, uma minoria ignora as restrições e vive em outro mundo, onde o corona vírus parece não existir, pois se aglomeram, não usam máscaras, e a disseminação do vírus é regada a bebida e falta de amor ao próximo.
Não tem sido fácil pra ninguém esse sarau, muitas vidas ceifadas, muita insegurança, muito desemprego, muito medo do amanhã, mas se existe também o verde e o azul nesse arco-íris, serão usados um dia na coreografia , tenhamos fé, façamos nossa parte, para conseguirmos juntos compor a dança da vitória.

Erika Borges, março de 2021
Cronista e Escritora – autora do livro Crônicas e Reflexões da Vida.

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