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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Artigos

“Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16)

Hoje, estudos sobre a segurança alimentar no Brasil dão conta de que, em 2022, cerca de 58% dos brasileiros enfrentavam alguma situação de insegurança alimentar e nutricional, o que significa alimento insuficiente e de baixa qualidade. Destes, 15,5% conviviam com a fome, o que corresponde a cerca de 33 milhões de pessoas.
Esta realidade apela à nossa compaixão, para que tenhamos a mesma capacidade que Jesus teve, de nos colocar no lugar dos outros para lhes oferecer nossa ajuda. O tempo quaresmal é um tempo propício ao nosso empenho por um mundo onde todos tenham “o pão nosso de cada dia”, como rezamos quando recitamos a oração do Pai nosso que Jesus nos ensinou.
Corremos o risco de reduzir a Campanha da Fraternidade a bonitos slogans e a um esforço que se limita a arrecadar fundos com a Coleta da Solidariedade, que ocorrerá no Domingo de Ramos. Embora a coleta seja importante, ela não é a ação mais importante que a Campanha quer despertar em nós. A Campanha quer despertar em nós conversão à fraternidade, que deverá traduzir-se em gestos concretos.
O Texto base nos apresenta várias propostas em nível pessoal, comunitária e sócio-política (nn. 165-169), para manifestarmos nosso compromisso com aqueles que sofrem por causa do flagelo da fome. Vamos nos limitar à ação pessoal. Algumas propostas penso que seriam interessantes, como por exemplo: jejuar em atitude solidária com aqueles que, pela miséria, são obrigados ao jejum; converter o resultado do jejum e da penitência quaresmal em alimento para quem precisa; colaborar nas campanhas de arrecadação de alimentos de entidades sérias e transparentes; abolir o desperdício de alimentos, estabelecendo práticas de reaproveitamento saudável; praticar o voluntariado, envolver-se nos trabalhos e ações que já existem na comunidade, como a Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP), o Serviço da Caridade, as Pastorais Sociais, etc.; preparar uma refeição saudável e nutritiva no domingo de Páscoa e convidar uma família carente; participar mais ativamente das discussões sociais de políticas públicas.
Deixemos que a palavra de Jesus, nesta Quaresma, encontre eco em nossos corações e traduza nossa penitência em fraternidade e doação.
(Trecho da Circular de Março)

 

 

 

(Por: Dom Milton Kenan Jr)

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