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A dádiva da amizade
Em um mundo que as pessoas encontram-se muitas vezes fechadas em si mesmas e pouco interessadas ou preocupadas com o que está ou com quem está por perto, torna-se cada vez mais difícil se estabelecer relações de companheirismo, fraternidade e confiança.
Nas redes sociais existem pessoas que têm milhares de “amigos” ou milhões de seguidores, mas de fato quantos podem ser considerados verdadeiramente amigos? Possivelmente esse número não ultrapassará os dedos de uma mão. Mas o número não interessa muito, importa saber quem são esses amigos, conhecê-los, reconhecê-los e valorizar as verdadeiras amizades.
Para que as amizades comecem, além da simpatia, é necessário sair de si, ou seja, deixar o egoísmo de lado e reconhecer que é preciso o outro na vida, que existe a necessidade de compartilhar, confraternizar, encontrar. Como está escrito em um texto bíblico: “Com efeito, se chegarem a cair, um levanta o outro. Porém, ai de quem está só: não tem ninguém que o levante” (Eclesiastes 4, 10).
O relacionamento saudável entre as pessoas permite crescimento mútuo, mas também exige atitudes coerentes. Para a construção de uma amizade sólida é preciso: tempo para que as coisas aconteçam; confiança para os momentos de confidencialidade; paciência para os momentos de dificuldade ou estresse; solicitude ou prontidão para os problemas; respeito para os pensamentos divergentes; amor fraterno, carinho, generosidade e alegria para todo momento. Pode parecer muita coisa, mas basta olhar para as amizades autênticas que facilmente encontram-se tudo isso.
A amizade também não pode sufocar, ou seja, tem que permitir a liberdade e a individualidade, um não tem que controlar o outro e atrapalhar assim o relacionamento com outras pessoas. Numa amizade saudável, assim como em outras relações, é fundamental deixar de lado o pensamento extremante materialista do mundo contemporâneo que encara o outro como propriedade devido ao forte sentimento de posse e controle.
Nas Sagradas Escrituras encontram-se alguns versículos que destacam a importância da amizade: “Um amigo fiel é uma proteção poderosa, quem o encontra, encontra um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel: é um bem que não tem preço. Um amigo fiel é bálsamo de vida, os que temem o Senhor o encontrarão” (Eclesiástico 6, 14-16).
Agradeçamos ao Senhor pela dádiva das amizades que Ele nos concede e peçamos sabedoria para podermos valorizar e cativar os verdadeiros amigos.
Matheus Flávio da Silva
Seminarista Propedêutico