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Cuidado com a vaidade
A Liturgia da Palavra do 18º Domingo do Tempo Comum nos convidou a parar e reconhecer qual é a causa de toda esta situação de corrupção e de sofrimentos que atormenta o mundo inteiro e que coloca em perigo a vivência de toda a humanidade. Cada um de nós tem uma resposta pronta, porém, a Palavra de Deus do domingo pede que meditemos em outra que pode ser a causa de todas as outras respostas que nós já temos formado. As nossas são válidas, a que nos apresenta, com clareza, está fundada na Palavra.
Encontramos a raiz de toda esta vaidade nas primeiras páginas da Bíblia quando o Criador, ao formar o ser humano, deu-lhe um corpo material que precisa das coisas materiais, e uma alma que só é feliz com os valores espirituais. Como os valores materiais são os únicos que aparecem, é com eles que fomentamos nossa vaidade, perdemos a paz da nossa consciência, destruímos a nossa família, fomentamos a violência e, com a destruição da natureza, colocamos em perigo a vida de todos.
O livro do Eclesiastes (12;2,21-23) diz: “Vaidade das vaidades! Tudo é vaidade. Por exemplo, um homem que trabalhou com inteligência, competência e sucesso, vê-se obrigado a deixar tudo em herança a outro que em nada colaborou. Também isso é vaidade e grande desgraça. De fato, que resta ao homem de todos os trabalhos e preocupações que o desgastam debaixo do sol? Toda a sua vida é sofrimento; sua ocupação, um tormento. Nem mesmo de noite repousa o seu coração. Também isso é vaidade”.
São Lucas (12,13-21) nos conta a resposta dado por Jesus, e que deveríamos meditar. Uma pessoa aproximou-se de Jesus e disse: “‘Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo’. Jesus respondeu, referindo-se a uma pergunta que um jovem lhe havia feito, uns meses antes: ‘O que eu devo fazer para conseguir a vida eterna?’. E Jesus lhe respondeu: ‘Guarda os mandamentos’. E lhe lembra quais são os dez mandamentos. Ele disse para Jesus: ‘Eu os estou observando desde criança. Devo fazer mais alguma coisa?’. Jesus disse: ‘Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, e dá aos pobres’. O Jovem abaixou a cabeça e foi embora mais abatido que antes, porque ele era muito rico”. Este é o problema da maioria dos cristãos: saber partilhar as coisas materiais, até a herança, com os irmãos. E pensamos que estamos cumprindo os mandamentos com os nossos irmãos.
São Paulo, na sua carta aos Colossenses (3,1-11) nos diz onde está a origem dos nossos deveres com o Pai e com os irmãos, com poucas palavras: “Irmãos, se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus, aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois morrestes e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis com ele revestidos de glória”. Não pelos valores materiais que deixaram de existir, com o nosso corpo, mas pelos valores espirituais que são divinos e eternos.
Os valores espirituais somente são fonte de paz e de felicidade eterna.
Monsenhor Antonio Santcliments Torras
Pároco emérito da Paróquia São João Batista de Olímpia