terça-feira, 27 de outubro de 2020

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Covid-19 em Barretos: festival de declarações infiéis ao interesse da população

Definitivamente, nossa cidade é de uma infelicidade inusitada.
Barretos passa por momentos de uma saúde pública em pandemia e se vê exposta a assistir o gestor de um monopólio regional de saúde publicar um vídeo dizendo que AGORA “liberou a cidade” para o uso de hidroxicloroquina”, que ele mesmo desaconselhara há 6 meses ao uso assistencial desse medicamento. Sim, a hidroxicloroquina, desde então, vista como fator de alívio de internações, de sofrimentos e de mortes pela doença.
Há 6 meses (25 de março último) o gestor fez sua administração comunicar, formalmente aos médicos, o DESACONSELHAMENTO DO USO DESSA DROGA.
Ora, há 6 meses, o mundo todo, com base em experiências da França, Espanha e Itália, já colhiam evidências clínicas de que o uso precoce da HIDROXICLOROQUINA reduzia internações e mortalidade.
Em março, no Brasil (Belém do Pará), conseguiu-se estancar o desespero da falta de leitos hospitalares, com o uso precoce e entrega à população, de kits incluindo a Hidroxicloroquina. Naquele mesmo momento, cidades paulistas e brasileiras relatavam o sucesso do uso precoce da medicação, com evidentes resultados, como foi o caso de Porto Feliz, governada por um prefeito médico, arrojado e com senso do dever público.
Porto Seguro com a médica Raissa Soares, revelando papel profilático e atenuador da doença com a Hidroxicloroquina, além de outros lugares com a ivermectina.
Agora, vêm as “declarações do dia” do gestor do monopólio de saúde de Barretos, concluir (de sua cabeça) e “confessar” o erro do atraso de “6 seis meses pandêmicos”, em que se pergunta: quantas vidas poderiam ter sido salvas em Barretos se tivessem seguido algo que já era evidente?
Sim. Há um documento formal do comitê de ética médica do Hospital de Amor (que, claro, envolve a Santa Casa e Hospital Nossa Senhora, postos de saúde, etc.), comandado pelo Sr. Henrique Prata, claramente DESACONSELHANDO O USO DE HIDROXICLOROQUINA.
Quer agora responsabilizar os médicos??
Aí vem outra declaração incrível. Um empresário, que é sabidamente braço direito do citado gestor, só agora percebeu que Barretos esteve mal cuidando da epidemia com altíssimos índices de internação e mortalidade. Muito acima da média nacional… Vem outra pergunta: onde estava (e o que fazia) sabendo de tais cifras negativas, fazendo parte (via Santa Casa) da gestão da saúde na cidade?
Aí vai outra pergunta: o que foi feito com o montante de recursos, da ordem de 27 milhões (Barretos), para controlar a pandemia?
Deixando claro, (como claro está), que O RECURSO FINANCEIRO NÃO FALTOU !
Mais ainda: o Governo Federal noticia a destinação de mais 224 milhões de reais para tratamento de câncer, só para a Fundação Pio XII.
Portanto, o que tem que ser explicado é a incompetência de administrar o altíssimo índice de mortalidade COVID-19 em Barretos. Para isso está conclamado o gestor Henrique Prata para explicar. E NÃO CULPAR QUEM NÃO MERECE A CULPA.
Por que é que nenhum kit de prevenção ou tratamento precoce foi até hoje oferecido à grande população? Vir agora lamentar os acontecimentos…ou confessar que não fizera o que deveria ter sido feito?!
É lamentável ver declaração pública do gestor Henrique Prata acusar os médicos de responsáveis por não prescreverem a Hidroxicloroquina (HCQ). Atitude mentirosa, desleal, covarde que não vai passar desapercebida ou indefesa.
Esqueceu-se de que a “ordem” foi dada por sua administração (conforme o documento anexo ao lado).
Aliás, o Presidente Bolsonaro, desinformado que parece estar sobre Barretos, além de precisar tomar conhecimento da verdade, precisa ampliar o leque de investigação do dinheiro público, sobre o qual ninguém tem conhecimento.
Mais importante do que receber notícias desleais contra a classe médica, que tem sido baluarte no mundo todo, como no Brasil e em Barretos é saber que a HCQ que o PR tanto defende, na verdade, foi praticamente proibida de ser usada pelo gestor.
A pandemia em Barretos continua descontrolada.
É tempo ainda, embora com atraso, de oferecer kits de proteção, ao invés de ficar lamentando, confessando a triste notícia, fazendo ufanismo com providências que foram negligenciadas e deslealdade com um corpo clínico pressionado e ameaçado pelo conhecido regime de Amor.
Ressalve-se setores, hospitais e médicos que evitaram um mal ainda maior, ao já virem receitando esses protocolos com hidroxicloroquina e ivermectina, apesar da orientação (ou desorientação) inicial.
Precisa ficar claro que mentira e saúde não se dão bem e nunca se darão.
O momento é de cada qual fazer a sua parte, respeitando o direito da grande maioria.
O resto: Deus ajuda a compensar.

Dr Fauze José Daher
Gastro Cirurgião e
ex Diretor Clínico da
Santa Casa de Barretos

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