quarta-feira, 02 de dezembro de 2020

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Covid-19: as pessoas podem ser infectadas mais de uma vez?

Casos recentes de reinfecção causam discussão sobre a imunidade

É fato que o novo coronavírus tem causado uma grande revolução em hábitos sociais e de saúde e, nesta semana, tivemos mais uma prova de como a nova forma do vírus também desafia profissionais de saúde e a ciência como um todo. Temos muitas respostas, mas as perguntas ainda são muitas e as adaptações de protocolos, constantes.
Mas, além da vacina, que provavelmente é o item mais desejado de grande parte da população mundial, muitas pessoas querem saber se existe imunidade e, se sim, o quanto ela é real para as pessoas que já se recuperaram da Covid-19. De forma geral, os casos de reinfecção têm sido muito raros (em um mundo que teve mais de 37 milhões de infectados), mas recentemente a história de um jovem de 25 anos dos Estados Unidos, causou preocupação e dúvidas. Tudo isso porque foi comprovado cientificamente que ele foi infectado duas vezes e que desta segunda vez o estado de saúde dele piorou consideravelmente.
A possibilidade do vírus ter ficado “dormente” no organismo do paciente foi descartada. E, enquanto ele teve uma primeira manifestação, em março deste ano, que incluía dor de garganta, tosse, dor de cabeça, náusea e diarreia, no final de maio, ele volta a apresentar os mesmos sintomas, incluindo febre e baixa saturação de oxigênio no sangue, que são duas manifestações um pouco mais graves da doença. Os detalhes desta linha do tempo é que em 18 de abril ele testa positivo pela primeira vez, e deixa de ter os sintomas 11 dias depois. Posteriormente ele testa negativo duas vezes, em 9 e 26 de maio, mas volta a testar positivo em 5 de junho.
Sem dúvida, trata-se de uma jornada complexa e ainda pouco compreensível, mesmo para quem está o mais familiarizado possível com a doença. A comunidade científica mundial já fala em mudança nas ideias de efetividade das vacinas e imunidade coletiva (quando muitas pessoas já pegaram o vírus e então ele passa a ter dificuldade em se espalhar e perde força). Ainda está em estudo se as reinfecções mais graves têm relação com o contato a uma carga viral mais alta.
Como já citamos, além de raros, casos de reinfecções não foram mais graves em registros de Hong Kong, Bélgica e Holanda. Ainda é cedo para respostas definitivas, mas uma coisa é certa: os cuidados devem continuar para todos.
Dr Jorge Chade Rezeck CRM 140.333

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