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CORAÇÃO
Bom Dia Barretos. Toda administração que se preze deve usar o cérebro para analisar e determinar os objetivos a serem alcançados e o coração para poder dosar o alcance das medidas tomadas, bem como os seus efeitos sobre a população. Na posse dos governadores eleitos, bem como na posse da grande maioria dos prefeitos, o que se viu e ouviu, foi um discurso de cortes de cargos e contenção de despesas, pois estamos atingindo o ápice da crise econômica.
O agravamento da crise está levando governadores a Brasília em busca de um acordo que prevê contenção de despesas, venda de empresas públicas, corte de secretarias, aumento da contribuição dos servidores para com a previdência além de arrocho salarial.
Quando a administração municipal de Barretos anunciou o aumento do IPTU, das taxas de licença, da contribuição da iluminação pública as possíveis privatizações incluindo velório, cemitério, mercadão, rodoviária, pensei com os meus botões, a situação econômica do município deve estar feia mesmo. Não concordei, mas entendi.
Quando ouvi o grito de fornecedores que há seis meses não recebem, conclui que a situação deve estar explosiva.
Creio que passou do bom senso o aumento da água em 24,5%, por ser essencial à vida e penalizar brutalmente pessoas desprovidas de posse. Pensei ser um ato de desespero do governo municipal em busca de recursos para remediar uma administração afundada em dividas. Mas ao tomar conhecimento do envio de um projeto de lei criando onze novas secretarias conclui que, em verdade, estamos num barco à deriva.
Desmembrar a secretaria municipal de ordem pública criando duas novas secretarias: secretaria municipal de defesa civil e secretaria municipal de transportes aéreos, rodoviários e ferroviários, só pode ser uma brincadeira de mau gosto.
O projeto de lei propõe ainda desmembrar a secretaria de Relações Institucionais, que numa contenção de despesas, bem que poderia ser extinta em duas novas secretarias: secretaria municipal de relações institucionais e secretaria municipal de comunicações. Propõe recriar a secretaria municipal de suprimentos, e criar a secretaria de compras e nela o departamento de licitações, contratos e convênios. Por coerência as compras e licitações deveriam estar sob a coordenação da secretaria de abastecimento. Perdoem-me, mas é o maior absurdo que já vi em quase cinquenta anos de vida pública. Propõe mais, desmembrar a secretaria municipal de agricultura e meio ambiente em duas novas secretarias: secretaria da agricultura e a secretaria do meio ambiente.
O projeto de lei propõe também criar uma secretaria de habitação, uma de emprego e relações do trabalho, uma de políticas para a mulher e outra de integração do idoso e da igualdade racial e de gênero, além de criar a controladoria geral do município com nível hierárquico de secretaria municipal. Serão, portanto 34 gabinetes com os seus chefes de gabinete. Será que o prédio alugado pela prefeitura consegue agasalhar tantos gabinetes ou será necessário alugar outro prédio? Só de salários, com os novos cargos, no ano de 2.017 a prefeitura gastar á R$ 2.972.853,74. E estamos falando só dos cargos que estão sendo criados. Quais as prioridades? Sanear as finanças, pagar os fornecedores, acertar a divida com o instituto de previdência ou criar cargos? Bem, como diz o ditado popular “O povo tem o prefeito que merece.” eu diria: “O povo tem o prefeito que elegeu.”
BOM DIA BARRETOS