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domingo, 19 de março de 2017

Artigos

Conversão ecológica

O termo “conversão” tem um significado particular para a fé cristã. No grego, “metanoia” corresponde ao que consideramos como mudança; mas, mudança não só nas aparências, mas no mais profundo do ser humano: seus valores, seus conceitos, o modo de olhar e agir no mundo; sempre à luz do Evangelho.
Nestes últimos tempos, sobretudo com o Papa Francisco, a “conversão” tem também um significado ecológico. Não podemos ficar indiferentes diante do aquecimento global, da escassez das fontes de energia do planeta, do desperdício ainda existente e mau uso dos recursos que garantem a sobrevivência do ser humano, como a água, o solo, a fauna, a flora.
Mais do que nunca o planeta Terra grita por socorro diante daqueles que tratam da natureza fonte rentável de recursos, deixando de reconhecer a missão dada por Deus ao ser humano de ser “guardiães da obra de Deus” (LS 217).
Conversão ecológica, no dizer do papa, é atitude de quem reconhece os próprios erros, pecados, vícios ou negligências e arrepende-se do fundo do coração do mal provocado; mas, ao mesmo tempo, cultiva atitudes de cuidado generoso e cheio de ternura, revestido de gratidão e gratuidade,  para com o mundo, dom do amor de Deus para os seus filhos (cf. LS 220).
O tema da Campanha da Fraternidade 2017, “Biomas brasileiros e defesa da vida”, fala da importância de olhar para as diversas regiões do nosso país profundamente ligadas entre si, embora com características próprias, com respeito e cuidado. Comprometer a vida desta ou daquela espécie, colocar em risco as nascentes dos rios, ou despejar na natureza os dejetos industriais é declarar a morte não só do planeta, mas de nós próprios que nele vivemos.
Do cuidado com a criação garantimos vida em abundância para todos os filhos e filhas de Deus.
 
Dom Milton Kenan Júnior
Bispo Diocesano

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