domingo, 25 de outubro de 2020

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Compaixão é ter o coração nas mãos

Ao refletirmos sobre os sete olhares da compaixão presentes em um dos temas a ser refletido pela Campanha da Fraternidade (CF) deste ano, tratando-se do tema “dom da vida”, é possível perceber que pela própria definição da palavra encontra-se o significado de “padecer com”, sendo esta uma característica essencial da misericórdia de Deus, presente e relatada por Jesus, na parábola do Bom Samaritano (Cf. Lc. 10, 25-37).
O primeiro olhar sobre a compaixão, ao qual nos deteremos brevemente será: “Compaixão é ter o coração nas mãos”. Ao observarmos esta realidade, nos remetemos a compreender que o olhar compassivo deve gerar em nós um ato de “permanecer com”, ou seja, sentir a realidade do outro intrinsicamente, sendo capaz de se comover realmente pela situação do próximo, rompendo a realidade de um olhar que expresse somente sentimentos de “dó”.
O olhar compassivo, mais do que um mero sentimentalismo, leva o indivíduo a uma determinada ação que reconhece e resgata a imagem da dignidade humana que habita em seu próximo e ao mesmo tempo resgata a imagem de Deus no rosto desfigurado de cada ser humano que sofre as dores da indiferença, de um coração duro, um coração de pedra que não se abre, que não se comove a agir diante dos sofrimentos alheios; mas ao contrário carrega em si, o egoísmo e a insegurança, pois só age em benefício próprio e com certeza, mais cedo ou mais tarde, tende a perder o sentido da vida.
Deste modo é possível compreender que ter o coração nas mãos é a primeira atitude para se abrir à compaixão, pois ter o coração nas mãos é ser capaz de sentir, e este sentimento nos leva a amar e a cuidar de seu próximo sabendo de fato quem ele realmente é. A pergunta que o um certo homem fez a Jesus sobre quem era o seu próximo é respondida na parábola do Bom samaritano (Cf. Lc. 10, 25-37). Ao refletirmos sobre ela compreenderemos que o meu e o seu próximo não é quem temos vínculos ou quem está ao nosso lado, e muito menos quem concorda com a gente, mas sim àquele ao qual eu me aproximo diariamente e que se encontra em sofrimento e precisa de mim.
Que a realidade da compaixão nos desperte para o cuidado com a vida e sua dignidade e nos torne mais atentos a esta realidade de termos o coração nas mãos para agirmos em favor do próximo. Santa Dulce dos Pobres, rogai a Deus por nós!

Daniel Canevarollo
Seminarista

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