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Compaixão é ter mais justiça no coração
Dando seguimento aos sete olhares sobre a compaixão presentes no tema da Campanha da Fraternidade deste ano, o segundo olhar: “Compaixão é ter mais justiça no coração” nos remete a compreendermos o conceito real de “justiça”, ao qual sabemos que um dos grandes desafios para o nosso tempo é justamente definir o que ela é.
Na concepção da maioria das pessoas, “justiça” trata-se daquilo que pode ser retribuído com dinheiro, trabalho, até mimos por conta do bom comportamento. Ou, ao contrário, punido devido ao mau comportamento. Iluminados pela Palavra de Deus, nota-se que o Antigo Testamento nos ensina que a justiça no homem é “virtude” e em Deus é “perfeição”. Porém, no Novo Testamento, em Jesus, nós compreendemos que o amor é maior que a justiça. O amor condiciona a compreensão de justiça. A justiça serve a caridade. O amor ágape é a forma mais plena de Justiça.
Compreendemos amplamente esta realidade observando a parábola dos Trabalhadores na Vinha (Cf. Mt 20, 1-11). O patrão da vinha, após iniciar o expediente, ao final da tarde, recolhe alguns trabalhadores que estavam nas praças desempregados e leva para sua vinha. Ao final do expediente paga por igual, ou seja, dá a mesma quantia a todos os seus funcionários. Os funcionários que trabalharam o dia todo sentem-se incomodados e prejudicados, mas o patrão diz a eles que não estava cometendo injustiça alguma, pois ele pagara a todos o que havia sido combinado.
A partir deste episódio podemos nos perguntar: onde está o erro quando o senhor da vinha paga por igual a trabalhadores que cumpriram jornadas diferentes? A resposta é: o dono da vinha paga por igual não porque os trabalhadores renderam por igual, mas porque todos são humanos, e por isso, são iguais. Os trabalhadores de última hora não estavam desempregados porque queriam, eles estavam realmente precisando. Terá o Senhor errado na parábola, ou estaremos nós tão marcados por um “conceito incompleto de justiça” que não enxergamos a amplitude de um coração que é, ao mesmo tempo, justo e misericordioso?
Esta realidade nos leva a realizar uma conversão pessoal, comunitária, social e conceitual sobre o tema da justiça, sabendo que ela, na realidade, deve servir a caridade, pois a misericórdia completa a justiça que carrega justamente uma ação que envolve o ser humano a compreender a realidade do outro, e os motivos pelos quais o fazem ser como ele é.
Esta é a forma como Deus nos olha e contempla, com olhar que vai além, e assim na contra-mão de nossos preconceitos e maldades presentes em nossa natureza, devemos nos esforçar para contemplar esta linda e desafiadora realidade. Santa Dulce dos Pobres, rogai a Deus por nós!
Daniel Canevarollo
Seminarista