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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Como uma bolha no ar

A realidade se apresenta para a maioria das pessoas de forma dura, injusta e pesada de se experienciar. Nietzsche, sentindo na pele essa dureza existencial, escreveu que “temos a arte para não morrer ou enlouquecer perante a verdade”.
A nossa vida brada por um significado mais profundo e belo da realidade, por isso fazemos arte. É só observarmos as crianças que, desde muito novinhas, tentam dar vida e sentido para qualquer objeto que encontram em seu caminho. Olhamos um tênis e elas enxergam um barco falante. As crianças brincam para desenvolver a criatividade e, fazendo isso, constroem um mundo mais interessante e artístico. Elas nem sabem, mas, com isso, estão desenvolvendo recursos para, no futuro, se utilizarem deles no enfrentamento da realidade que virá, com todas as suas dores e delícias.
Enquanto a nossa bolha não estoura, espero que cada um de nós desenvolva a nossa arte de viver com os materiais que temos e com os afetos que carregamos em nossa história. Tudo do nosso jeitinho.
E para o caos interno, aquilo que nos perturba a alma, talvez o que nos resta seja puxar uma cadeira e conversar com ele. Muitas obras-primas nasceram desse diálogo. Ou, como nos ensinou Nietzsche, “é preciso, às vezes, ter um pouco de caos dentro de si, para poder dar à luz uma estrela dançante”. É tempo de tirar a nossa estrela para dançar.

 

 

 

Denis Athanázio ,
Psicólogo, Palestrante,
Terapeuta de Família e Casal.

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