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segunda-feira, 04 de março de 2024

Artigos

Como Morrem as Almas

Nascem juntamente com os corpos e vão tri- lhando suas lindas trajetó- rias pela infância, onde são alimentadas por alegria, esperança, amor, amizade e sonhos.

Esses alimentos as fa- zem muito bem, e algumas até conseguem se desenvol-

 

ver mais que os próprios corpos. Só que infelizmente a mesa farta não dura muito tempo, logo vem a adoles- cência, e os alimentos co- meçam a ser um pouco mais escassos, mas mesmo assim, ainda conseguem superar as dificuldades e continuarem seu lindo desenvolvimento com o tempo.

Tempo… Esse tempo não se torna muito amigo, pois quanto mais ele passa, mais escassezes vão acon- tecendo!

Chega uma hora que começa faltar alegria, e ela é substituída pela tristeza… As decepções e injustiças da vida afastam a esperança, e sonhar parece algo utópico

 

demais!

Estes são os primeiros sinais do adoecimento da alma, e não tem idade muito certa pra isso, algumas de- moram mais, outras menos, e ainda existem aquelas ina- baláveis, mesmo que cada vez mais raras…

Quando a enfermidade começa a se manifestar, muitas reagem, gritam, cho- ram, tentam se livrar dos vírus causadores; mostran- do todas suas forças! Só que de tanto lutarem, vão enfraquecendo, perdendo energia, até chegar o dia da fase mais perigosa: A da apatia!

Nessa fase nada mais dói ou incomoda, nada mais é injusto, nada mais vale a pena… Se tornam mansas, não gritam, não esperam, não sonham, não ficam mais tristes, nem felizes…

Assim, vão morrendo pouco a pouco, até partirem definitivamente, restando aqui somente corpos mo- ribundos que muitas vezes ainda “vivem “ muito tempo vagando por esse ingrato mundo!

 

Erika Borges, cronista e escritora, autora dos livros Crônicas e Relexões da Vida e Crônicas e Relexões na Pandemia e Mediadora de Biblioterapia

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