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sexta-feira, 14 de junho de 2024

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Como fazer a vontade de Deus

Uma das perguntas que mais tenho recebido, na minha vida de sacerdote, é a seguinte: como podemos saber qual é a vontade de Deus em relação a nós? Como se existisse um meio de poder ter a certeza do que o Senhor espera de cada pessoa!

No entanto, podemos saber o que Ele não quer com absoluta certeza. Deus quer que todos sejam salvos, Ele não quer que alguém vá para o inferno, porque Ele é amor. E o amor de Deus é para cada pessoa e quer que toda pessoa chegue ao conhecimento da verdade e que possa tomar a decisão de seguir o bem e fugir do mal: eis o que diz o número 2822 do Catecismo da Igreja Católica:

“É vontade de nosso Pai ´que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade´ (1Timóteo 2,3-4). Ele ´está usando de paciência para conosco, pois não deseja que ninguém se perca´ (2Pedro 3,9). Seu mandamento, que resume todos os outros, e que nos diz toda a sua vontade, é que ´nos amemos uns aos outros, como Ele nos amou´ (João 13,34)”.

Mas o que é a verdade? Não pode ser uma opinião que muda a cada estação, como o tempo. A verdade deve se identificar com uma pessoa, em quem não existe mentira ou subterfúgio. É verdade que sempre existem os profetas que anunciam que todos se condenam, menos evidentemente “eles”, que se creem não somente donos da verdade, mas a mesma verdade.

Não oração do Pai-nosso, nós pedimos que seja feita a vontade de Deus, no céu e na terra, e essa vontade, esse desejo de Deus, não pode ser outro a não ser a felicidade humana, na espera de poder gozar para sempre a alegria de contemplar face a face a mesma glória de Deus. Cada alegria “humana” não poderá nunca satisfazer os desejos mais profundos do coração humano. É um momento particular da história humana onde muitas vezes se confunde a vontade de Deus com a nossa vontade de poder, de autossuficiência e de autorreferencialidade, onde o mais importante é alimentar cada vez mais o nosso egoísmo que, bem alimentado, se transforma em “ídolo”.

A vontade de Deus não se conhece totalmente de uma só vez, mas lentamente no decorrer do tempo e dos anos, nas várias circunstâncias e lugares, mas tem sempre uma característica, que nos orienta o novo mandamento de Jesus: amai-vos uns aos outros como eu vos amei.

Essa luz do amor não pode faltar na vida de ninguém. Deixemo-nos orientar pelo amor, vivamos o amor, e teremos a certeza de que um dia seremos recebidos no Reino do céu e aqui na terra seremos felizes.

(Por: Frei Patrício Sciadini, OCD-Carmelita descalço)

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