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CNBB: CORRUPÇÃO INDICA GRAVE CRISE MORAL
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil voltou a falar sobre a questão da corrupção no Brasil. Em nota a favor do Brasil, diz a CNBB que “A corrupção, metástase que atinge de morte não só os poderes constituídos, mas também o mundo empresarial e o tecido social desafia a política a seguir o caminho da ética e do bem comum. Combatê-la de forma intransigente supõe assegurar uma justa investigação de todas as denúncias que vêm à tona com a consequente punição de corruptos e corruptores. A corrupção, gerada pela falta de ética e incentivada pela impunidade, não pode ser tolerada.”. É o segundo pronunciamento da CNBB sobre corrupção, na gestão do seu atual presidente, dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília. A nota lembra ainda o que também recentemente declarou o papa Francisco sobre o assunto, dizendo que: “é urgente resgatar a credibilidade da atividade política em que seja fortalecida a cultura inclusiva e democrática, pois um ‘método que não dá liberdade às pessoas para assumir responsavelmente sua tarefa de construção da sociedade é uma chantagem’, e ‘nenhum político pode cumprir o seu papel, seu trabalho, se se encontra chantageado por atitudes de corrupção’ (Papa Francisco aos representantes da sociedade civil, no Paraguai, 11 de julho de 2015). A chantagem ‘é sempre corrupção’. Lamentavelmente, o cenário político brasileiro não está isento desta condenável prática.”.
O Brasil está diante hoje desse grande desafio: de combater a corrupção, para preservar a democracia da corrosão moral. Por isso, é preciso destacar o trabalho meritório do Ministério Público Federal e todas as demais instituições empenhadas em buscar a verdade dos fatos e punir os infratores e dos que cometeram abusos em cargos públicos. Mas é preciso também buscar meios mais eficazes para coibir tais práticas, pois – como ainda explicita a nota da CNBB – “é inaceitável que os interesses públicos e coletivos se submetam aos interesses individuais, corporativos e partidários. As disputas políticas exacerbadas podem comprometer a ordem democrática e a estabilidade das instituições. Garantir o estado de direito democrático é imperativo ético e político dos brasileiros, mormente dos que não viveram nem testemunharam as arbitrariedades dos tempos de exceção. O bem do Brasil exige uma radical mudança da prática política.”.
Nesse sentido, a CNBB “reafirma o diálogo e a luta contra a corrupção como meios para preservar e promover a democracia. Nesse diálogo, devem tomar parte os poderes constituídos e a sociedade civil organizada. Com o Papa Francisco, lembramos que “o futuro da humanidade não está unicamente nas mãos dos grandes dirigentes, das grandes potências e das elites”. Está fundamentalmente nas mãos dos povos; na sua capacidade de se organizarem e também em suas mãos que regem, com humildade e convicção, este processo de mudança” (Discurso aos participantes do II Encontro Mundial dos Movimentos Populares, Bolívia, 9 de julho de 2015). Por isso, devemos, todos nós, nestes dias que antecedem o 7 de setembto, estar mais atuantes e vigilantes, apoiando todas as iniciativas que visam combater a corrupção. Por fim , a corrupção indica a gravidade da crise atual, que não é uma crise somente econômica e política, mas grave crise moral. E só poderemos superar esta crise atacando as suas causas, de origem moral.
Valmor Bolan é Doutor em Sociologia e Especialista em Gestão Universitária pelo IGLU (Instituto de Gestão e Liderança Interamericano) da OUI (Organização Universitária Interamericana) com sede em Montreal, Canadá e Representa o Ensino Superior Particular na Comissão Nacional de Acompanhamento e Controle Social do Programa Universidade para Todos do MEC.”.