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quarta-feira, 29 de maio de 2024

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Circular de Dezembro do Bispo Dom Milton Kenan Júnior

Queridos irmãos e irmãs, aproximamo-nos novamente da celebração do Natal do Senhor. O tempo do Advento que iniciou há alguns dias, e que durante quatro semanas vai nos conduzindo à celebração do grande mistério do Nascimento do Salvador, nos convida a abrir de par em par os nossos corações para acolher o “Deus conosco”, Jesus, nosso Irmão e Salvador.
Nestes dias, a liturgia, ao mesmo tempo em que nos ajuda a reconhecer o jeito maravilhoso de Deu aproximar-se de nós e compreender a grandeza do seu coração compassivo e rico em misericórdia, nos convida a vencer o medo, o desânimo e o cansaço para ir ao encontro do Senhor que espera por nós, em cada um dos nossos irmãos e irmãs.
Viver o Advento é, portanto, caminhar para o encontro do Deus de amor que espera a nossa atenção, nosso cuidado e nosso serviço na pessoa dos irmãos e irmãs mais necessitados.
Há poucos dias, o Papa Francisco em sua visita a Greccio, onde São Francisco de Assis, provavelmente em 1223, convidou os habitantes do lugarejo e da região para celebrar na noite do Natal, a chegada de Jesus, em torno de uma manjedoura, publicou a Carta Apostólica “Admirabile Signum” (Admirável Sinal) falando do significado e valor do presépio.
O Santo Padre expressa, assim, o desejo de que a tradição de montar o presépio nos lares, nos locais de trabalho, nas escolas, nos hospitais, nos estabelecimentos prisionais, nas praças, não desapareça, mas ao contrário, possa perdurar, e naqueles lugares aonde tenha caído no desuso se possa redescobrir e revitalizar.
O presépio – no dizer do papa – é Evangelho vivo que transvaza das páginas da Sagrada Escritura que “ajuda a imaginar as várias cenas, estimula os afetos, convida a sentir-nos envolvidos na história da salvação, contemporâneos daquele evento que se torna vivo e atual nos mais variados contextos históricos e culturais”.
Podemos, assim, “sentir” e “tocar” a pobreza que escolheu, para Si mesmo, o Filho de Deus na sua encarnação, tornando-se implicitamente, um apelo para O seguirmos pelo caminho da humildade, da pobreza, do despojamento, que parte da manjedoura de Belém e leva até à Cruz, e um apelo ainda a encontrá-lo e servi-Lo com misericórdia nos irmãos e irmãs mais necessitados (cf. Mt 25, 31-46).
Que vivendo intensamente o tempo do Advento estejamos preparados para celebrar o mistério do Natal, do Deus que sendo rico fez-se pobre para enriquecer-nos com a sua pobreza.
O Natal, apesar da agitação desenfreada e da febre do consumo egoísta, é sempre uma lição de simplicidade. Não precisamos de muito para viver e sermos felizes. É um convite à fraternidade: pois se tornando um de nós, Deus nos tornou irmãos e irmãs.
Deixemos que a luz do Menino colocado na manjedoura, no meio da noite, e aconchegado pelo carinho de Maria e de José, invada a nossa vida e nos encha de ternura.
A todos minha comunhão na fé e na oração, nestes dias, e minha benção, em nome do Senhor!

Dom Milton Kenan Júnior
Bispo de Barretos

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