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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

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Casos Covid19 – SUS de Barretos: obrigados a se internarem em Bebedouro

Como se não bastasse o todo elenco de dificuldades para ser atendido na rede municipal de saúde, continua imperando o absurdo de pacientes serem obrigatoriamente transferidos de Barretos para Bebedouro.
A que ponto chega a desqualificação de Barretos como centro de região administrativa, em várias áreas de atividades, ter agora que ficar longe dos familiares quando da dura situação de precisar se internar por COVID, ferindo o cerne de seus direitos individuais.
Sim. É isso aí. Barretense que estiver acometido de COVID, precisando se internar, é levado para hospital de Bebedouro para o tratamento.
Veja a falta de lógica, e de senso humanitário para cuidar da pessoa humana. Cidade sede de região, estrutura mais abrangente e absorvedora das necessidades assistenciais, ter que ficar submetida ao sacrifício de ficar distante da família em momento que lhe pode ser crítico e fatal.
Como médico, com experiência em gestão pública, fico a imaginar o que passa pela cabeça dos gestores de saúde de nossa cidade. Com certeza falta um mínimo de senso crítico e de sensibilidade, ao não propiciar ao cidadão ser atendido em sua própria cidade.
Aí vêm meditações na busca de uma explicação. Afloram na mente questionamentos e respostas ou tentativas de entendimento.
Se no auge da pandemia, que nossa cidade também sofreu, como foi possível acomodar os casos da cidade e os de fora aqui trazidos, apesar do fechamento absurdo de leitos?
E agora: com um mínimo do mínimo de casos de internação, sem a aflição da falta de leitos que chegou a existir, mandar para fora tais poucos casos a serem tratados?

Que lógica (ou logística) é essa?

Aí aparecem respostas, dentro de uma realidade, que transformam em frieza a postura de quem administra ou ordena essas medidas. Por exemplo: quando se remunerava com montante enorme os casos de COVID, que enriqueceram muitas prefeituras, governos de Estados e prestadores de todos os níveis, pudemos assistir os leitos serem dirigidos para hospitais particulares conveniados. Até com diagnósticos forçados visando auferir mais dinheiro em verdadeiro “aproveitamento” da crise.
Houve diversos momentos de remanejar locais de atendimento em que a área pública (Ex. Santa Casa) ficava fora do atendimento e sua “fatura” desprezível na hora da contemplação pelas verbas. Coincidência ou não, receberam verbas “generosas”, os terceirizados UPA, H. Nossa Senhora, e hospital terceirizado de Bebedouro. Menos a Santa Casa de Barretos que deveria ser o alvo da vinda de dinheiro público.
Aí o paradoxo: agora que não existe pressão de volume de casos, inventa-se a medida de mandarem para fora de Barretos (i. é., para Bebedouro) criando-se desconforto, dificuldades para o cidadão mais carente, criando o risco de colocar na estrada um paciente em fase de agravamento respiratório da doença.
Fica evidente: antes, quando era um melhor “negócio”, pela alta remuneração, procurava-se segurar aqui perto. Agora, como “mal negócio” remaneja-se para longe sem se pensar no desconforto e dificuldades que sacrificam, tornando totalmente desumanizado o atendimento? Haveria outra resposta para tentar explicar esse absurdo?
Qualquer que seja a explicação dada, não conseguirá convencer pela contrariedade técnica, irracionalidade, insensibilidade que chega a níveis de irresponsabilidade e frieza absurdas.
Como sempre, Prefeita que não é médica, Secretário da Saúde engenheiro, gestor da fundação que explora o serviço, também não sendo médico, que consigam um médico consciente para justificar essa medida aberrante e que ameaça a vida das pessoas num momento que pode ser crítico.
Ah, sim… um médico que não seja ou esteja refém do sórdido monopólio.

 

Dr. Fauze José Daher
Médico e Advogado
ex Diretor Clínico da
Santa Casa de Barretos
ex Presidente da A.P.M.
– Regional de Barretos

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