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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Carreira dos filhos: até onde vai a influência dos pais?

Por obra da atividade profissional que exerço, converso diariamente com presidentes e líderes empresariais. E, quando o diálogo deixa de ser os cenários político e econômico do País e se envereda para assuntos mais gerais, percebo que um tema tem estado cada vez mais presente: a carreira dos filhos.
Vejo que muitos líderes encaram como um dilema e se preocupam excessivamente e precocemente com o futuro profissional do filho, sobretudo porque, em muitos dos casos, refiro-me a pais de adolescentes de 12 ou 13 anos.
É natural das novas gerações que a exposição pelos caminhos profissionais aconteça cada vez mais cedo. E é responsabilidade do pai não influenciar ou interferir diretamente na escolha da profissão, mas, sim, ajudar os filhos a clarificar o que são valores, princípios e os legados que eles querem deixar ao mundo.
Eu, como pai de dois meninos, um de 13 anos e outro de 11, procuro estimulá-los o gosto pelo aprendizado. Entendo que as competências comportamentais farão mais diferença na educação das crianças e dos jovens do que uma educação técnica ou específica em alguma área. Hoje, é crucial ter gosto pelo aprendizado e pelas conquistas para que o profissional do futuro não se torne obsoleto.
Em casa, instigo meus filhos a buscarem respostas para problemas e dúvidas do dia a dia. Tudo o que me questionam, devolvo com outra pergunta e os instigo a pensar e pesquisar. Outra grande preocupação dos pais é o quanto esse adolescente ou jovem está empenhado em se desenvolver e conquistar seus sonhos com as próprias pernas. Até tenho uma frase que eles já se acostumaram a ouvir: “Quanto mais tarde vocês dependerem de mim, mais cedo eu vou depender de vocês”. É crucial formar nos jovens o gosto pela conquista individual e mostrar claramente que nada cai do céu.
Outra ‘estratégia’ é expor os filhos a situações distintas. Por exemplo, nas férias, em vez de visitar somente lugares tradicionais, por que não levá-los a destinos fora da rotina? Indo a um restaurante de comida Tailandesa por exemplo, por que não estimulá-los a entender por que daquelas tradições, qual história daquele local, influencias externas e assim por diante? A ideia, em resumo, é fazer com que as crianças encontrem propósito e paixões dentro da enorme gama de possibilidades existentes.
Os meus filhos, por exemplo, estão em fase de descobertas. O mais velho deseja seguir carreira na música, enquanto o caçula tem pretensão de ser atleta e morar na Europa. Entre os amigos deles há quem deseja ser Youtuber. Há pais que tremem só de pensar, mas eu discordo de quem acha que esse tipo de atividade não acrescenta em nada no desenvolvimento do jovem. Vejo habilidades que são importantes para o futuro profissional, como a de aprender a se comunicar, se organizar, pesquisar temas a serem explorados nos vídeos, e por fim, a facilidade de usar a tecnologia, para citar apenas alguns atributos que um Youtuber pode carregar para o futuro. Essas competências sem dúvida são valorizadas em inúmeras outras carreiras.
O que quero dizer é que caiu por terra o mito de que não é possível ser bem sucedido em uma carreira alternativa. Uma profissão que não existia dez anos atrás, por exemplo, a de desenvolvedor de aplicativos, é extremamente demandada nos dias atuais. Já paramos para pensar que, com a velocidade e a ferocidade com que as coisas estão mudando, é provável que as profissões de nossos filhos ainda nem existam?
Não tenho dúvidas de que os executivos, que estão acostumados a liderar equipes e a encarar adversidades, têm no desenvolvimento da carreira do filho um dos maiores desafios da vida. E quem disse que seu filho vai ter uma carreira só durante a vida dele? Esteja aberto e ajude-o a encontrar mais de uma!

Carlos Guilherme é CEO da Fesa Group, consultoria especializada em recrutamento de executivos e estratégia de capital humano

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