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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Artigos

Carnaval: uma festa cristã?

Muitos ainda se perguntam se o Carnaval é uma festa cristã. Não hesito em responder que não. O Carnaval não é uma festa cristã; embora anteceda o início do tempo quaresmal, que é para os cristãos católicos um tempo forte para exercitar-se na oração, na penitência e na caridade.
Há os que associam o Carnaval às festas que ocorriam na Mesopotâmia, na Grécia e em Roma; embora entre nós brasileiros esta festa seja herdada de Portugal.
Entre as festas da Antiguidade que possivelmente influenciou a criação do Carnaval estão as “Saceias”, da Babilônia, quando um prisioneiro assumia durante alguns dias a figura do rei, vestindo-se como ele, alimentando-se e dormindo com suas esposas. Terminado este período o prisioneiro era chicoteado e depois morto.
Outro rito babilônico que ocorria no início de um novo ano: o rei entrava no templo de Marduk e ali se despojava de suas insígnias, era surrado, humilhado diante da imagem de Marduk demonstrando assim a sua submissão do rei à divindade. Em seguida assumia novamente o trono.
Em Roma havia as Saturnálias e as Lupercálias. As primeiras ocorriam em dezembro e as segundas em fevereiro (mês das divindades infernais). Estas festas duravam vários dias com muita comida, bebida e danças. Os papeis sociais aí também se invertiam. Os escravos assumiam o lugar dos senhores, e os senhores colocavam-se nos papéis dos escravos.
No Renascimento, nas cidades italianas, faziam-se teatros improvisados cuja popularidade se estendeu até o século XVIII. Em Florença, canções foram criadas para acompanhar os desfiles. 
No Brasil, como afirmamos acima, esta festa tem sua origem portuguesa, praticada pelos escravos, no tempo da Colônia. Com o decorrer do tempo surgiram os cordões e ranchos, as festas de salão, os corsos e as escolas de samba. Foram incorporados também às festas carnavalescas os afoxés, frevos e maracatus, marchinhas, sambas e outros gêneros musicais.
Hoje, o Carnaval tornou-se uma das festas mais populares no Brasil, amplamente explorada pelos meios de comunicação social, e patrocinadas por grandes indústrias de bebidas alcóolicas que lucram, nestes dias, com o excesso no consumo das bebidas.
Será importante, nestes dias, distinguir o que é do que não é válido; o que constrói do que não destrói, os comportamentos que realmente fazem crescer daqueles que diminuem a dignidade das pessoas.
Muitos são os que nestes dias chegam à exaustão, com o seu comportamento inconsequente e excesso no uso das drogas entorpecentes, de bebidas alcóolicas e do sexo desenfreado. A lógica é a de aproveitar o máximo, como se não existisse amanhã, como se o que de fato vale é a alegria do momento.
Não são poucos os que levados pela lógica do momento, do prazer da hora, carregam pelo longo da vida consequências dolorosas. 
Aproveitar os dias do Carnaval para descansar, desfrutar o convívio da família, praticar exercícios físicos e, quem sabe, participar de alguma iniciativa religiosa, pode ser uma opção mais saudável e frutuosa. 
Aí sim o Carnaval poderá ter sentido cristão como tempo capaz de favorecer a concentração e o abastecimento de novas energias para assumir os 40 dias da quaresma como tempo propício à oração e conversão.
 
Dom Milton Kenan Júnior
Bispo de Barretos
 
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