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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Artigos

Caridade

Bom dia, Barretos!
Dia desses, numa roda de amigos, alguém disse nunca sair de casa sem levar umas moedas no bolso. Indaguei-lhe se era algum tipo de mania ou mandinga para atrair mais dinheiro ou abençoá-lo nos negócios. Chocou-me a resposta. Dizia que assim procedia pelo grande número de pedintes e andarilhos pelas ruas de Barretos. Quando alguém se aproximava logo pegava uma ou duas moedas e ia lhes passando às mãos sem perder tempo. Perguntei-lhe se sentia-se confortado com isso, se sentia ter praticado um ato de caridade que o deixava em paz com a sua consciência. Perguntei também, se em algum momento lhe passou à cabeça que aquela pessoa, era um ser humano como nós e que por uma infelicidade acabou parando nas ruas buscando o apoio alheio. Que muito mais que as miseras moedas, ele poderia estar esperando ser olhado como ser humano, e lhe dessem atenção, ao que tinha a dizer, o que valeria muito mais que o dinheiro recebido. Se sua percepção de caridade era apenas dar umas moedas, uma roupa usada, um sapato que não usa mais, ou se alguma vez procurou visitar um orfanato, uma casa de idosos, ou se dignar a conversar e restaurar a fé em quem se acha perdido nesse mundo de Deus. Se já tinha parado para pensar que atrás daquele mendigo tinha um ser humano, que teve uma família, que em determinado momento serviu o próximo. Que aquele maltrapilho, com certeza, tem uma história de vida e um pedido de ajuda secreto, como a dizer me dê uma mão, me ajude a sair dessa. Caridade não é apenas oferecer algo material, mas sim muito mais, ouvir o que o outro tem a falar, quais os problemas que o afligem, o que o atormenta e então levar uma palavra que lhe restaure a fé, a segurança em si, e o ajude a trilhar novos caminhos. O mundo está carente de alguém disposto a ouvir e que tenha a caridade de estender as mãos ao próximo. Uma palavra, um ato de verdadeira caridade que praticarmos pode mudar o destino de uma pessoa. Um bom dia, um sorriso, um momento de atenção, muitas vezes valem muito mais que uma ajuda financeira. Estamos falando do andarilho, mas quantas pessoas que estão trabalhando, às vezes ao nosso lado também estão precisando de um minuto de atenção, de uma pessoa que as escutem e de uma palavra de apoio moral ou religioso. Perder um momento para ouvi-las e ajuda-las é um verdadeiro ato de caridade.
Enfim caridade é sentir na alma o que se passa na alma de nosso semelhante e dentro de nossa possibilidade ajudá-lo a encontrar o caminho da paz interior, da segurança, do amor e da fé.
Bom dia, Barretos.

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