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quinta-feira, 30 de maio de 2024

Artigos

Caminhos de descobertas

Conversando com uma pessoa que amo muito, ela me disse a seguinte frase: “Se eu fosse uma princesa, eu seria a Fiona”. Claro que a intenção dela era dizer que não tinha nada de princesa, pelo menos não aquele perfil tradicional de contos de fadas. Minha resposta para ela foi: “E isso é ruim? Foi apenas se aceitando como uma ogra que a Fiona foi realmente feliz”. Esse é o nosso grande problema. 

Criamos uma imagem tão perfeita de nós mesmos, com características que não possuímos, com medidas além do nosso alcance atual, que quando as coisas se mostram tão belas, dentro do padrão que criamos, a tendência é nos frustrarmos.

A verdade é uma só: Nós não vivemos com quem realmente somos, mas com imagens idealizadas que só se sustentam com máscaras. Veja bem, não estou dizendo que você não deve traçar metas e ideias para alcançar seus objetivos, afinal, isso é santidade: buscar a conversão diária da nossa mentalidade e do nosso ser. Porém, a verdadeira conversão só acontece quando assumimos quem nós somos, com todas as nossas virtudes e, principalmente, com os nossos defeitos. 

A Fiona só conseguiu realizar a missão que lhe foi confiada quando entendeu que o seu lado ogro não era apenas um defeito, mas que ela poderia aproveitar inclusive aquilo para ser a princesa que seu povo realmente precisava. Vale lembrar também que foi apenas aceitando ser uma ogra que ela encontrou a verdadeira felicidade, e a partir daí, encontrou o verdadeiro amor da sua vida. Ela fez a diferença na vida de muitas pessoas, assim como essa pessoa tem feito todos os dias na minha.

As suas falhas, defeitos e vícios, fazem parte de você, mas nunca determinarão quem você realmente é. Só depende de você, se livrando das máscaras “perfeitas” que tem usado há tanto tempo, entender isso e assumir a missão que, geralmente, é muito maior.

Pense bem, o que seria daquele povo e da família que seria constituída se Fiona não assumisse quem é e qual é sua missão? E quanto a você, o que será do povo que Deus quer lhe confiar enquanto você brinca de ser perfeito e não assume suas verdadeiras virtudes e seus defeitos? Porque, entenda, é justamente no que lhe falta para ser santo que Deus quer atuar!

Gustavo Souza

Seminarista da Diocese de São José do Rio Preto

Cursa o 3º ano de Filosofia

 

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