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quarta-feira, 29 de junho de 2022

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Câmara aprova os 44 mihões: lição do vereador Chico Andrade desaprendida após 30 anos

E conseguiram aprovar o que é notoriamente um mote de oportunismo típico da velha política. São poucas as oportunidades de uma Câmara agir na direção do bolso do cidadão. Autorizar endividamento é um deles, não sendo coisa boa para o contribuinte.
Essa jogada de empréstimo de órgão paraestatal, há décadas atuando no meio da administração municipal, já é “manjado” como fonte de negócios nada interessantes para a população, sempre (ou quase sempre) enganada em favor de oportunidades.
Há 29 anos, consegui fazer de bancada com 7 vereadores independentes, virarem 14 e não autorizar 14 milhões de dólares, que endividariam a prefeitura por mais de 20 anos, com a “balela” de recapear toda a cidade. O pano de fundo era uma comissão de 9 por cento para fazer o “negócio”. Até porque, honestamente, dinheiro de recape sai dos tributos ordinários (IPTU) ou de verbas de “fundo perdido”. É um absurdo não saber tirar esse recurso dentro de um orçamento de 700 milhoes.
Via de regra, essas taxas de comissões sobre o montante emprestado costuma ser dos melhores negócios, só que para os agentes políticos E aí estão encostadas pessoas que dizem, como a clássica máxima, que “melhor que ser político e poder mandar no político”.
Basta fazer um exame do quadro de participantes desse negócio, e identificar se há figuras implicadas, embora se vá perceber o silêncio dos principais envolvidos.
É uma pena que, o que parecida renovação de posturas, na verdade acaba sendo uma submissão a ensinamentos de edis mais experientes e bem afeitos a esse tipo de negócio.
Vereadores neófitos infelizmente “mergulharam” na malícia dessa proposta. Era uma esperança que se desvanecesse no debate. Mas ficou clara a troca de vantagens “em ser da base da prefeita”, cuja performance até agora deixa muito a desejar, virando as costas para o interesse coletivo da grande população.
O raciocínio é simples: quem manda na história da vida pública de cada um é o povo, que deve ser respeitado e agradado e, não, um prefeito que é transitório e poderá nunca mais voltar. O povo é soberano e sempre vai estar aí.
Ser vereador antigo nem sempre é requisito de matreirice. Conheci figuras sábias na história de nossa Câmara Municipal, tipo Francisco Andrade, que era culto, sensato com absoluto feeling político, honestíssimo e sabidamente inerte ao acesso pelos tiradores de vantagens.
Infelizmente, nessa última votação, a oportunidade de defender o grande “patrão”, que é o povo, já foi. Restam alguns exercícios: um deles é acompanhar, com visão fiscal, o trajeto desse financiamento, desde custo financeiro, prazos e taxas de intermediação e o seu balanço final.
A outra é mapear quem tira proveito, da eventual “inocência” de edis, já se sabendo que alguns são cobrados constantemente pelo apoio recebido em campanha. Fica a esperança de que se desfaça a promiscuidade entre câmara e executivo, para que haja votações independentes e do interesse geral.
Se esse sonho fica difícil, que se saiba da consciência da cidade sobre os verdadeiros atores desse teatro político que precisa acabar, começando-se pelos municípios. Contando com uma melhora na memória popular que já acontece e tende a avançar.

 

Dr Fauze José Daher
Médico-Cirurgião e Advogado
ex Vereador Constituinte de Barretos

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