sábado, 28 de novembro de 2020

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Calor Humano

Dentre todas as privações às quais fomos submetidos pelo isolamento social que estamos vivendo, a mais cruel é a do calor humano.
Como é dolorido vivermos sem um simples aperto de mãos, um beijo no rosto, um abraço, um aconchego de mãe, um colo de vó.
Quantos abraços deixamos de dar por falta de tempo, ou por simplesmente não o valorizar como prova real de carinho, hoje daríamos tudo pra poder sentir de novo a riqueza que ele representa, como já relatado por mim, em outro texto.
Não há tristeza maior que não poder acalentar a quem amamos. É realmente impossível passar sentimentos a quem acabou de perder um ente querido, sem um abraço apertado, um aconchego no ombro, um olhar no olhar, enfim uma presença de corpo e alma.
Tristeza também há em não poder comemorar de perto a alegria do nascimento de um filho, as bodas de prata e o casamento de um casal apaixonado, o aniversário de 15 anos tão esperado e infinitas alegrias, que tiveram que ser guardadas entre quatro paredes.
Essas quatro paredes sufocam, abafam seus gritos e suas canções, tempo bom era aquele, onde não vivíamos em prisões.
Estamos todos a ponto de enlouquecer, temos que encontrar refúgios, força, esperança, em algum lugar lá no fundo, pra suportarmos tamanhas privações.
Até tudo isso acabar teremos que nos conformar em ver os professores e colegas de classe por telas, desejar feliz aniversário e até “meus sentimentos” por mensagens de textos, conhecer os recém nascidos por fotos, e celebrar festas por videoconferência. Apesar de ser muito cruel, toda essa distância, seria pior ainda, se esse isolamento social acontecesse antes dos avanços tecnológicos, onde teríamos que nos contentar com cartas e ligações telefônicas.
O ser humano se adapta a qualquer situação, isso não quer dizer que não sofra, mas procura desenvolver estratégias para amenizar o sofrimento. Com criatividade, fé, coragem e persistência vamos vencendo aos poucos os desafios de cada dia.
O medo de morrer, medo de enlouquecer, medo de perder o emprego, medo de passar fome, medo de perder alguém querido, o medo…, nos ronda insistentemente, mas temos que ser mais fortes que ele e lutar…, lutar com todas as forças, mesmo que sinta que não as tenha mais.
Com certeza apesar de todo sofrimento, sairemos fortalecidos da batalha, e teremos de volta o precioso calor humano que nos foi tirado.

Erika Borges
Cronista e escritora no
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