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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

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Cadeira

Definida pelo dicionário simplesmente como peça de mobília composta de um assento individual e de um encosto, com ou sem braço. Para muitos, este será seu significado pelo resto da vida, pois há muito mais para se pensar, se fazer, do que dar importância a tal objeto.
Para o carpinteiro que a confeccionou, ela foi fonte de sustento da família, e se orgulha toda vez que imagina o fruto de seu trabalho dando repouso a corpos cansados, ou assentando empresários numa reunião importante.
Para o imprudente será sempre o motivo de sua desgraça, pois a queda da maldita cadeira, enquanto tentava trocar uma lâmpada, lhe custou um pé quebrado e posteriormente uma eterna “manqueira”. Em sua visão, elas são objetos perigosos e ninguém o convencerá do contrário.
Para a aposentada que tricota é o símbolo de dever cumprido. Quantas vezes almejou pelo momento de enfim poder descansar após tantos anos de luta, onde raras vezes pode se assentar em seu cantinho favorito da casa.
Para o paraplégico são pernas, que através das rodas o leva para onde seu próprio corpo não é mais capaz de ir sozinho. Nesse caso, cadeira e homem se tornam um só, uma conexão de corpo e alma, onde o inanimado e animado se completam.
Para o condenado à morte, sinônimo de medo, mesmo que o objeto em si não seja o causador de seu fim, e sim a carga elétrica que irá receber; ele sabe que após ali sentar sua vida terminará…. Não terá outra chance para se arrepender e fazer diferente.
O mundo é um auditório cheio de cadeiras, na maioria das vezes tropeçamos nelas e seguimos em frente; pois é mais fácil, mais rápido, mais prático. Além do mais, para os que veem, mas não enxergam, são apenas cadeiras….

 

Erika Borges – Escritora, Professora de Língua Portuguesa e Mediadora de Biblioterapia

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