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BRASIL PERDE GRAU DE INVESTIMENTO
Ao perder o grau de investimento, o Brasil entra uma fase mais difícil ainda, em meio a grave crise política e econômica em que vive, praticamente desde as eleições do ano passado. O segundo mandato do governo Dilma não conseguiu, de modo algum, decolar e superar a crise, que vem se agravando a cada dia que passa. Ao nomear o ministro Levy para a Economia, o governo esperava que conseguisse controlar a crise com o chamado “ajuste fiscal”, mas o fato é que, até o momento, o ministro Levy teve pouca autonomia e não conseguiu fazer os cortes necessários. O governo chegou a acenar com a possibilidade de diminuir alguns ministérios, mas boa parte do ano já passou e nada foi feito nesse sentido. Moral da história: o que se teme agora é o aumento de impostos, para que a população acabe pagando a conta. A agência de classificação de riscos Standard & Poor’s foi a primeira a considerar o Brasil como um pagador sob suspeita, desestimulando assim o investimentoestrangeiro e o aumento do dólar, entre outros fatores de insegurança no mercado.
Em reportagem da BBC Brasil em São Paulo, Adriano Brito e Ruth Costas diz que a agência Standard & Poor’s “ainda sinalizou uma tendência negativa, ou seja, risco de o país ter a nota rebaixada novamente – o que os economistas já alertam que deve ocorrer.” E também que “em seu comunicado, a S&P diz que ‘os desafios políticos que o Brasil enfrenta continuaram a aumentar’, tendo reflexos sobre ‘a capacidade e a vontade do governo’ em submeter um Orçamento para 2016 ‘coerente com a significativa sinalização de correção’ da política econômica no segundo governo Dilma Rousseff.” O fato é que até mesmo ministros e parlamentares próximos do governo reconhecem que há um abatimento e uma dificuldade do governo reagir na busca de uma solução efetiva à grave crise política e econômica, acarretando com isso mais instabilidade geral. Já há uma frente de deputados (em número crescente) dispostosà abertura de um processo de impeachment, com justificativas diversas, muitas delas já protocoladas nos órgãos competentes, no aguardo de uma posição a respeito. E a reforma política avançou pouco. De qualquer modo, ninguém sabe que desdobramentos terão essa crise, que se arrasta há meses, daí a vigilância sobre os atuais acontecimentos.
Tudo isso coloca o País em estado de alerta, pois havíamos conseguido uma estabilidade econômica em 1994 (com o Plano Real) e há muito que não víamos mais uma situação como essa. Os anos 90 e a primeira década do século 21 geraram muitas expectativas, pois o Brasil vinha tendo um ótimo desempenho rumo ao desenvolvimento. O governo atribui ‘acrise de 2008 como uma das causas que geraram esse atual estado de instabilidade, e que ele tem buscado, de todas as formas, superar. Mas nem mesmo grupos e segmentos do PT, partido do governo, conseguem se entender em relação às causas e soluções possíveis da atual crise. Setores mais ‘a esquerda do PT questionam o ajuste fiscal de Levy e pedem democracia direta. Esperamos que o Brasil não fique refém da ideologia de tais grupos e consiga, em curto tempo, superar a crise, para o bem de todos. Entretanto, sem medidasDolorosas não há saída. Espero que seja dolorosa para o Governo também e que mude pra valer ou então que a senhora Dilma “pegue o seu banquinho e saia de mansinho”.Alguem quer que o Brasil se transforme numa Venezuela?
Valmor Bolan é Doutor em Sociologia e Especialista em Gestão Universitária pelo IGLU (Instituto de Gestão e Liderança Interamericano) da OUI (Organização Universitária Interamericana)