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segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Artigos

Barretos: notícia boa, notícia má

Caros leitores,
Quando temos duas notícias para darmos ao mesmo tempo, uma boa, outra má, comumente, perguntamos ao interlocutor: Qual notícia você prefere primeiro? E a pessoa logo diz: a boa.
Então vamos à boa. O distrito rural de Alberto Moreira, também conhecido como Amoreira, homenagem a Alberto de Mendonça Moreira, engenheiro chefe de linha da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, cujo povoado floresceu ao redor da estação, inaugurada em 1926. O distrito foi criado através do Decreto-Lei n° 14.334 de 30/11/1944, durante a ditadura do ‘Estado Novo’, assinado por Fernando Costa, interventor federal. Pertencente ao município de Barretos, dista 18 km da cidade, e foi escolhido, neste ano, pelo Ministério do Turismo para representar o Brasil como ‘A Melhor Vila Turística do Mundo’, no concurso promovido pela Organização Mundial do Turismo.
É com regozijo que recebemos esta notícia auspiciosa. O distrito possui uma área territorial de 254,033 km², e de acordo com o censo de 2010, possuía uma população total de 724 habitantes, destes 166 na área urbana. Possui um posto de saúde, a EE ‘Profª. Zuleika Inácio Lopes Ferraz’, a praça ‘João Orlowiks’, que guarnece a Igrejinha, recentemente revitalizada pela Prefeitura e poucas ruas. Amoreira recebe, semanalmente, dezenas de ciclistas, que percorrem a ‘Rota das Capelas’, visitando as diversas igrejas e capelas da região. Este concurso traz um alento muito grande para o local, até então, carente de políticas públicas.
Transformado em ‘ponto turístico’, abre caminho e traz novas perspectivas, tanto econômica, quanto de emprego, necessárias para criar uma estrutura, sermos bons anfitriões, atender os anseios dos visitantes, que no corre-corre dos grandes centros urbanos, procuram ambientes mais saudáveis para descansar, passear e conhecer novas culturas. Para isso, o distrito precisa oferecer pousadas com comidas típicas feitas no fogão à lenha; os afazeres das comitivas, como a queima-do-alho; grifes sertanejas e lembrancinhas à disposição dos excursionistas; feiras de artesanato, exposições de artes, apresentações artísticas voltadas às tradições sertanejas, como catira, duplas, encenações de ‘causos’ de nossa ‘chão preto’; trenzinho ligando Barretos ao distrito; passeios de charrete e de carro-de-bois; cavalgadas; e outras novidades que tanto agradam e atraem os turistas.
Bem, agora a notícia má. Há pouco mais de um mês, o governado do Estado, anunciava o envio de projeto à Assembleia Legislativa, propondo elevar Barretos à categoria de Estância Turística. As vantagens são enormes, entre elas, o recebimento de verbas destinadas aos investimentos no turismo, com reflexos na economia e geração de empregos.
Não obstante, tomamos conhecimento, através de notícias que nos chegam pelos jornais, que o deputado Estevam Galvão (DEM), em um jogo político, apresentou uma emenda parlamentar, que coloca Barretos na ‘lista de reserva’, à espera de um aumento do número de estâncias. É triste ficarmos no ‘banco de reserva’, pois temos um histórico, como o primeiro frigorífico do Brasil e a Festa do Peão, promovida pela Associação ‘Os Independentes’, há mais de 60 anos. Além disso, possuímos uma rede hoteleira em ascensão, com tendência a melhorar, caso haja investimentos no setor. Neste caso, sentimos como uma criança, que tem o doce tirado de sua boca!
Além do mais, há poucos meses, em uma reestruturação nas regiões administrativa do Estado, a nossa cidade perdeu os municípios de Olímpia e Severínia, retirados da R.A. de Barretos, criada em 1983, sendo incluídos na Região Metropolitana de São José do Rio Preto. Um verdadeiro desrespeito ao vínculo histórico. Ambos os municípios são ligados a Barretos pelo cordão umbilical, eram parte de nosso vasto território até início do século XX, quando houve a emancipação de Olímpia, levando consigo parte do território onde, hoje, se localiza Severínia, emancipado da cidade ‘menina-moça’.
Há, por fim, de se falar que, durante a nossa história, observamos com tristeza, várias empresas importantes, que viriam para Barretos, aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, serem instaladas em outros municípios.
Não podemos aceitar tudo com resignação, precisamos mobilizar a sociedade.
Até parece que, enterraram ‘uma cabeça-de-burro’ em nosso solo!

José Antonio Merenda
Historiador e membro da ABC – Academia Barretense de Cultura – Cadeira nº 29.

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