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segunda-feira, 22 de abril de 2024

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Barretos: “Capital Country do Brasil”, sim, sem medo de ser feliz.

Em 1996, gerindo a Secretaria de Turismo da Administração Uebe Rezeck”, criamos a marca “Barretos, Capital Country do Brasil”.
As razões sobravam (e sobram) embasadas por várias, desde o estilo de rodeio (montarias) que motivaram o avanço dessa gigantesca festa. Estilo americano (texano), importado pelos nossos peões de boiadeiro que foram (e são) a razão maior dessa festa, pelo menos teoricamente.
Daí o nosso simplório peão, cultivar e adorar a roupagem americana que passa pela bota, o jeans típico (e elegante), o cinto, a fivela e o chapéu. Todos nada tendo a ver com o nosso estilo caboclo, nem da vaquejada nordestina e sequer da montaria sulista dos gaúchos.
E como é notório, bonito e chamativo os turistas virem a Barretos e se trajarem dessa forma típica americana.
Como a cultura é universal, não tivemos o acanhamento, nem falso patriotismo, de adotar e rotular nossa querida cidade como a “Capital Country do Brasil”. Assim a ideia e criação avançou, sem críticas alardeadas, passando a cidade por um período de “iconização” de pontos públicos, tipo telefones públicos (bota ou chapéu), fachadas comerciais e até o estímulo a um forte investidor paulistano criando o Barretos Country Hotel, hoje um termas em franca evolução. Com o nome mantido…
A Câmara Municipal da época abraçou de imediato o título, colocando no rodapé de seus documentos, a marca “Barretos, Capital Country do Brasil) que perdura até hoje nos seus papéis.
E o que na prática acontece? Quem chega a Barretos para conhecê-la, imagina e espera essa “roupagem”, entendendo que, pela fama, faz jus a ser chamada de Capital Country, sendo isso lastreado pelo envolvimento (e o evolver) dos dez dias da festa.
Aí vem uma questão crítica. Criou-se um portal na entrada da cidade (Av. 43), cujo formato tem sido mais criticado do que elogiado pelos nossos cidadãos, no que tange à criação arquitetônica e urbanística. Sem entrar nesse mérito, salta-me o detalhe de a cidade estar ali rotulada, pela Prefeita, como a Capital do Rodeio. Passa uma impressão de negação de uma realidade que já tem 27 anos. Passa a impressão de “timidez” diante da grandiosidade de, sendo country, enaltecer um traço cultural estrangeiro de muita força.
Com a importância de ter trazido ao Brasil, vários artistas do country americano, ao nível de Garth Brooks, Alan Jackson, etc. sem ciumeira e com aprovação pelos nossos cantores countries brasileiros.
Fica-se, então, a meditar sobre a carência em nossa cidade de se ter a vocação para coisa grande, parece que insistindo na pequenez que nossa história mostrou não ter.
Esquece-se que o nome Barretos é conhecido no Brasil inteiro, mercê de seu histórico de pioneiro como entreposto de gado e dessa famosa Festa do Peão de Boiadeiro. Conhece-se fora o nome Barretos, mais que Ribeirão ou Rio Preto. Isso é um fato.
O homenageado Peão tem orgulho, sim, de ser chamado de Cowboy, mais uma evidência do apreço pelo costume americano, definitivamente importado.
Com essa análise, fica a conclusão que devemos aceitar uma grandeza que não pode ser apequenada em hipótese alguma. Sem timidez, nem medo de ser feliz….
E viva nossa Barretos, no seu dia de comemoração.

 

 

Dr. Fauze José Daher
Médico e Gastro-Cirurgião,
Ex Vereador Constituinte
(1992) e Advogado

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