sábado, 28 de novembro de 2020

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Barretos – 166 anos!

Caro leitor,
Hoje Barretos comemora mais um aniversário!
Ao alcançarmos o 166º aniversário de fundação, nos deparamos com uma pandemia da COVID-19, mudanças em nosso cotidiano nos obriga ao isolamento social, a não causar aglomeração, com isso todos os eventos foram cancelados ou adiados: a nossa tradicional Festa do Peão de Boiadeiro foi adiada e o aniversário da cidade, neste mês de agosto, o lindo desfile cívico, alegórico e folclórico foi cancelado. Entretanto, devemos ser otimistas e pensarmos que tudo isto vai passar.
Com orgulho de sermos Barretense e Cidadão Benemérito, enaltecemos e parabenizamos com uma mensagem de esperança e agradecimento a toda essa gente laboriosa de Barretos, que através de valores sólidos contribuem para a prosperidade da terra dos Barreto e dos Librina.
Hoje a cidade é um cenário maravilhoso pintado com todo esmero, onde passam milhares de atores, cada um desempenhando o seu papel magistralmente. No entanto, devemos olhar para trás. Uma viagem ao passado, o resgate da memória barretense, a nossa terra e nossa gente. A chegada dos Barreto e dos Marques (Librina), por volta de 1831, vindos das Minas Gerais, após o declínio econômico do Ciclo do Ouro. Já na Província de São Paulo, nestes confins do sertão de São Bento de Aracoara, as terras eram fartas e, então, se estabeleceram ao longo do Ribeirão Pitangueiras, e aqui constituíram as fazendas Fortaleza e Monte Alegre. Os casebres de pau-a-pique. A devoção das famílias ao Divino Espírito Santo e a doação de parte de suas terras em seu louvor, a 25 de agosto de 1854, erigindo uma capelinha. Aqui fizeram florescer o arraial, a freguesia, a vila e a cidade.
No final do século XIX desembarcaram, convidados por chefes políticos, com a incumbência de povoarem e traçarem os destinos político, econômico, educacional e cultural de nossa querida Barretos, e serem protagonistas de uma nova história, entre outros: Antonio Olympio R. Viera, Cel. Raphael da Silva Brandão, Cel. João Carlos de Almeida Pinto e Cel. Silvestre de Lima.
A cidade de Barretos adentrou o século XX, com ares de modernidade, com a chegada, em 1909, dos trilhos da Cia. Paulista de Estradas de Ferro, interligando Barretos à Capital Paulista; em 1911, o serviço de energia elétrica; em 1912 é a vez da instrução pública com a implantação do 1º. Grupo Escolar; em 1913, é inaugurada a Cia. Frigorífica Agro Pastoril, precursora da Brazilian Meat Company e Frigorífico Anglo, que trouxe um impulso econômico muito grande, além do aumento da população urbana e a crescente urbanização, e ainda, a população flutuante constituída de peões de comitiva que traziam o gado para ser abatido no frigorífico e invernistas para engorda de seu gado, devido às grandes pastagens existentes. Barretos começou a fazer parte do mapa econômico nacional.
Ainda no limiar do século passado a cidade recebia imigrantes de várias nacionalidades, que através de seus braços trouxeram o desenvolvimento socioeconômico e de suas culturas agregaram-se valores ao povo chãopretano. Surgiam Clubes de Serviços, Associações Culturais e de Classes, Cinemas, Teatros, outras escolas primárias e escola secundária, era o desabrochar do núcleo urbano.
Infelizmente, perdermos o prédio do 1º Grupo Escolar de Barretos e a casa onde morou o dramaturgo Jorge Andrade, barretense e responsável pela modernização do teatro brasileiro, patrimônios estes que deveriam ser preservados.
Nestes últimos setenta anos Barretos viu prosperar o seu comércio, a indústria e as instituições como a Fundação Pio XII, mantenedora do Hospital do Amor, Associação ‘Os Independentes”, a Festa do Peão, as instituições de ensino superior, academias de cultura, como a Academia de Letras e Artes de Barretos (ALAB) e Academia Barretense de Cultura (ABC), diversos grupos de teatro, que colocam a terra do ‘Peão de Boiadeiro’ no mundo globalizado.
Na Barretos do século XXI encontramos o North Shopping Barretos, os condomínios verticais e horizontais que se multiplicam, novos bairros, as grandes avenidas rasgam o chão barretense. A cidade cresce … e seu povo continua o mesmo: bom, hospitaleiro e não foge à luta.
Viva Barretos – 116 anos!
José Antonio Merenda
professor, historiador e
Presidente da ABC – Academia Barretense de Cultura

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