quinta-feira, 26 de novembro de 2020

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AVC em tempos de COVID-19: uma ameaça subestimada

O que temos observado nos noticiários diariamente e confirmado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é que a vida de milhões de pessoas em todo o mundo tem sido impactada pela alta transmissibilidade do COVID – 19. Desta forma, este novo vírus passou a ser considerado uma das maiores urgências sanitárias das últimas décadas, uma pandemia.
O quadro clínico dos infectados pelo vírus pode variar desde infecções assintomáticas a quadros respiratórios graves. Ainda segundo a OMS, cerca de 80% dos infectados apresentam a forma assintomática da doença, e os 20% restante podem necessitar de atendimento hospitalar devido sintomas respiratórios (desses casos aproximadamente 5% podem precisar de suporte ventilatório). As manifestações clínicas incluem comumente febre, tosse seca, falta de ar, diarreia e fadiga muscular.
Evidências científicas das últimas semanas sugerem que pessoas infectadas pelo COVID–19 podem apresentar um prejuízo no mecanismo de controle da coagulação, levando a um aumento na taxa de coagulação do sangue e, portanto, complicações tromboembólicas podem surgir. Deste modo, esta infecção que enfrentamos atualmente também pode gerar repercussões neurológicas e vasculares como é o caso do Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCi), que é popularmente conhecido como Derrame.
O AVCi ocorre quando há uma obstrução de alguma artéria importante no cérebro e o fluxo sanguíneo é interrompido. O surgimento de notificações de AVCi associado ao COVID–19 é uma realidade, o que preocupa entidades mundiais envolvidas com os cuidados com o AVC, como é o caso da Organização Mundial de AVC, que é uma das maiores organizações relacionadas ao AVC no mundo.
Outro dado importante, preocupante e muito discutido pela Organização mundial de AVC é que juntamente com o aumento do número de atendimentos de casos de COVID–19, o número de atendimentos emergenciais de paciente com sintomas de AVC diminuiu drasticamente desde o início do isolamento social necessário para o controle da pandemia. O último levantamento mostra uma queda no número de atendimentos de aproximadamente 60% ao redor do mundo, e no Brasil o cenário não é diferente. Atingimos uma queda média de 50% de atendimentos quando comparamos aos dados antes do isolamento social. Isso significa que metade das pessoas com sinais e sintomas de AVC estão ficando em casa, sem ajuda médica.
O medo de contaminação pelo COVID–19 ao sair de casa em busca assistência hospitalar é compreensível, mas o tratamento do AVC é emergencial. É um tratamento tempo-dependente, ou seja, cada minuto importa. Milhões de neurônios morrem a cada minuto durante o evento isquêmico do AVC, por isso tempo perdido é cérebro perdido.
Diante desta situação é imprescindível reconhecer um AVC, portanto, fique atento aos sintomas como boca torta ao sorrir, fraqueza de um dos braços, dificuldade de fala. Deste modo, mesmo com as medidas de isolamento social que vivemos atualmente, caso você ou alguém próximo apresente estes sintomas, é necessário agir com rapidez e entrar em contato com o SAMU, imediatamente. Ligue 192.
Divulguem e façam parte da campanha mundial # AVC não fique em casa.
#AVCnaofiqueemcasa

Dr. Everton Horiquini Barbosa
Fisioterapeuta Neurofuncional
Membro da Sociedade Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional – ABRAFIN

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