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domingo, 09 de abril de 2017

Artigos

Atenção com ambientes que desencadeiam problemas oculares

Nem sempre é o organismo humano que desencadeia sozinho as dificuldades de visão. Às vezes, as pessoas “ajudam” a natureza a acelerar determinados processos. Fatores como exposição ao sol, prática de esportes de impacto, dedicação excessiva ao computador e horas dentro de piscinas, também podem ser responsabilizados pelo aparecimento precoce de miopias, hipermetropias, cataratas, glaucomas, conjuntivites e ceratites. O alerta da oftalmologista do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), Dorotéia Matsuura é para que as pessoas assumam o controle de algumas situações e evitar problemas oculares.
“É imprescindível estar alerta aos fatores de risco ambientais”, adverte.
Sol – A radiação dos raios UVA/UVB é um dos grandes vilões da saúde ocular. Dorotéia explica que os raios ultravioletas favorecem o surgimento de uma série de patologias oculares. Um dos mais comuns é o pterígio. Trata-se de um tecido fibrovascular (vasos sanguíneos) que cresce da conjuntiva, a parte branca do olho, em direção à córnea. A catarata também pode aparecer mais cedo em pessoas que se expõem excessivamente aos raios solares sem proteção adequada. Essa patologia caracteriza-se pela opacificação do cristalino, uma lente que deve estar transparente e fica localizada atrás da íris. A idade que a catarata normalmente se manifesta, isto é, quando esta lente começa a ficar opaca e impedir a visão clara, deve ser acima de 55 anos.
A especialista do HOB conta ainda que a retina é outra região afetada pela radiação solar. “A mácula, região central da retina, sofre lesões irreversíveis com a ação dos radicais livres gerados a partir dos raios ultravioletas e desenvolve precocemente a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). Este é um problema ocular que afeta a visão central, podendo levar à cegueira”, alerta.
Os óculos escuros com proteção contra raios UVA/UVB são fundamentais para poupar os olhos desse tipo de problema. “Além de evitar expor-se ao sol excessivamente, os óculos devem ser acessório indispensável mesmo que o tempo esteja nublado”, aconselha a médica do HOB.
Telas – Outra situação em que o ambiente oferece impactos à visão diz respeito à rotina da vida contemporânea. Pessoas que costumam passar muitas horas em frente ao computador, videogames e televisões podem sofrer com a chamada síndrome do olho seco. “A concentração descontinuada em frente a essas telas provoca fenômenos como piscar menos que o natural e a consequência é a superfície dos olhos ficar ressecada e irritada. O cansaço visual resultante desta situação também é perceptível pelo paciente”, relata Dorotéia. Em situações mais raras, o esforço acomodativo pode desencadear problemas refrativos como a miopia e astigmatismo, completa.
A médica do HOB alerta que é preciso fazer um intervalo enquanto se está na frente do computador ou assistindo programas de televisão. Ela recomenda que cada 60 minutos de exposição a essas telas, é importante desviar o olhar e mirar o horizonte, além e piscar bastante. O uso de colírios lubrificantes também pode ser necessário.
Socos – Os esportes de impacto figuram como risco potencial de lesões oftalmológicas. O futebol e a luta são esportes podem ser causas traumáticas de baixa visão e lesões no globo ocular, especialmente na retina, adverte a especialista. O impacto de um soco ou de uma bolada nos olhos já foi responsável por inúmeros descolamentos de retina e inchaços (edema) na região, diz Dorotéia que já atendeu casos de pacientes que levaram um tiro de paint ball no olho, durante uma brincadeira, e apresentaram perfuração na córnea, além de catarata traumática, e isto não é pouco.
Em caso de trauma após a prática de esportes, Dorotéia lembra que é preciso procurar um oftalmologista imediatamente. “Há casos que a lesão ocular ou a perda de visão só podem ser revertidas se tratadas em seguida, por isso é imprescindível ir para o hospital no caso de ferimentos no olho”, adverte.
Tabagismo – O hábito de fumar é outro fator externo ao organismo que está associado a patologias oftalmológicas. “O cigarro favorece o surgimento de catarata precoce e de DMRI. Estudos apontam para a relação direta do fumo com a produção de radicais livres que agridem o corpo e aceleram o envelhecimento”, explica. 
Piscina – Todo cuidado é pouco na hora de mergulhar. “Apesar do tratamento que recebe, água de piscina é um veículo de microorganismos, os quais desencadeiam conjuntivites virais e bacterianas. Por isso, deve-se evitar entrar na água sem a proteção adequada nos olhos, como os óculos de mergulho e jamais nadar usando lentes de contato”, aconselha a médica.

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