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sábado, 31 de maio de 2014

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ATÉ ONDE VAI A ESSÊNCIA HUMANA? O MAU CONVÍVIO SOCIAL INTERFERE NO CARÁTER DO INDIVÍDUO?

ÉTICA ILUMINISTA
Nos séculos XVIII e XIX, o francês Jean-Jacques Rousseau e os alemães Immanuel Kant e Friedrich Hegel (1770-1831) são os principais filósofos a discutir a ética. Segundo Rousseau, o homem é bom por natureza e seu espírito pode sofrer aprimoramento quase ilimitado. O fundamento da moral é dado pela própria razão humana: a noção de dever. O reconhecimento dos outros homens, como fim em si e não como meio para alcançar algo, é o principal motivador da conduta individual. 
Rousseau, foi além do simples questionamento, na verdade, buscou compreender o homem e o seu meio sob um ângulo bem diferente dos demais.
 
A ÉTICA ROUSSENIAUNIANA
Para Rousseau, “ Tudo é certo saindo das mãos do Autor das coisas, tudo degenera nas mãos dos homens.”
Seguindo esta linha de raciocínio, é na sociedade que está o perigo, pois incita o indivíduo ao luxo, às riquezas e à vaidade (a evolução social corrompe o homem).
O Homem é bom naturalmente, embora esteja sempre sob o jugo da vida em sociedade, a qual o predispõe à depravação. O homem e o cidadão são condições paradoxais na natureza humana, pois é o reflexo das incoerências que se instauram na relação do ser humano com o grupo social, que inevitavelmente o corrompe.
É assim que o Homem, para Rousseau, se transforma em uma criatura má, a qual só pensa em prejudicar as outras pessoas. Por esta razão o filósofo idealiza o homem em estado selvagem, pois primitivamente ele é generoso. 
Mas Rousseau acredita que há um caminho que pode reconduzir o indivíduo a sua antiga bondade, o qual é teorizado politicamente em sua obra Contrato Social, e pedagogicamente em Emílio, outra publicação essencial deste filósofo. Ele crê que a carência de igualdade na personalidade humana é algo que integra sua natureza; já a desigualdade social deve ser eliminada, pois priva o Homem do exercício da liberdade, substituindo esta prática pela devoção aos aspectos exteriores e às normas de etiqueta.
A formação do homem natural deve ser no seu lar, junto aos familiares, por constituir um ser integral voltado para si mesmo, que vive de forma absoluta. Já o cidadão deve ser educado no circuito público proporcionado pelo Estado, pois é tão somente uma parte do todo, e por esta razão engendra uma vida relativa. O aprendizado social, segundo o filósofo, não produz nem o homem, nem o cidadão, mas sim um híbrido de ambos. Aliar os dois implica investir no saber do ser humano em seu estágio natural – por exemplo, a criança –, e o cidadão só terá existência a partir desta condição, a qual tem como fonte a Natureza e como fio condutor a trajetória individual.
Por isso, é primordial investirmos no conhecimento e caráter de nossos jovens para que cresçam de modo a alcançarem um patamar de desenvolvimento que não os deixem ser descritos como seres sem caráter. A formação começa desde o nascimento do indivíduo e vai até a formação que ele dará a seus descendentes. Este ciclo deve ser priorizado para que daqui algumas gerações encontremos um mundo melhor do que aquele que deixamos. Cada vez que o cidadão melhora a sua conduta e segue a linha de pensamento de Jean-Jacques Rousseau, sendo um ser que representa a imagem e semelhança de seu criador, um ser puro, ele melhora a sua geração e as demais gerações futuras que cercarão o seu convívio e que estarão, definitivamente prontas para o desenvolvimento pessoal e social. 
 
Kevin Shimoyama e Thais Helena Pizarro de Lorenzo
Acadêmicos de Direito 

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