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terça-feira, 05 de março de 2024

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Assim que alguém erra, nasce a fofoca

O Evangelho nos fala da correção fraterna (Mt 18,15-20), que é uma das expressões mais elevadas do amor, mas também uma das mais difíceis, porque não é fácil corrigir os outros. Quando um irmão na fé comete uma falta contra você, sem rancor, ajude-o, corrija-o, e isso é ajudar.
Infelizmente, por outro lado, a primeira coisa que geralmente se cria em torno de quem erra é a fofoca, pela qual todos ficam sabendo do erro, com todos os detalhes, exceto a pessoa em questão! Isso não é correto, irmãos e irmãs, isso não agrada a Deus. Não me canso de repetir que a fofoca é uma praga na vida das pessoas e das comunidades, porque leva à divisão, leva ao sofrimento, leva ao escândalo, e nunca ajuda a melhorar, nunca ajuda a crescer. (…)
Jesus, porém, ensina-nos a comportamentos de forma diferente. Eis o que Ele nos diz hoje: “Se o teu irmão cometer uma falta contra ti, vai, repreende-o a sós” (v.15). Fale com ele “cara a cara”, fale com lealdade, para o ajudar a compreender onde erra. E faça isso para o seu próprio bem, superando a vergonha e encontrando a verdadeira coragem, que não significa falar mal, mas dizer-lhe as coisas na cara com mansidão e gentileza.
Mas, podemos nos perguntar, e se isso não for suficiente? E se ele não compreender? Então, há que procurar ajuda. Mas atenção, não é a do pequeno grupo que tagarela! Jesus diz: “Leva contigo uma ou duas pessoas” (v. 16), ou seja, pessoas que queiram realmente ajudar aquele irmão ou aquela irmã que errou.
E se ele continuar a não compreender? Então, diz Jesus, envolve a comunidade. Mas, também aqui, vamos esclarecer: não significa ridicularizar a pessoa, envergonhá-la publicamente; não, mas sim unir os esforços de todos para ajudá-la a mudar. Apontar o dedo contra as pessoas não é bom; na verdade, muitas vezes torna mais difícil para quem errou reconhecer o próprio erro. Em vez disso, a comunidade deve fazer com ele ou ela sinta que, ao mesmo tempo em que condena o erro, está próxima com a oração e com o carinho pela pessoa, sempre pronta a oferecer o perdão, a compreensão e a começar de novo.
Por: Papa Francisco

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